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Gene pode ajudar a explicar por que algumas pessoas são mais propensas à depressão

Gene pode ajudar a explicar por que algumas pessoas são mais propensas à depressão
Gene pode ajudar a explicar por que algumas pessoas são mais propensas à depressão. Imagem: Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

Por que algumas pessoas parecem ter maior predisposição à depressão, à ansiedade e a características como irritabilidade e neuroticismo? Uma pesquisa da Universidade de Barcelona (UB), na Espanha, encontrou uma possível peça importante desse quebra-cabeça.

Os pesquisadores identificaram uma rede formada por 19 genes que pode estar relacionada à suscetibilidade a esses problemas. No centro dessa rede está o gene RBFOX1, que funciona como uma espécie de regulador de outros genes ligados ao funcionamento do cérebro.

A descoberta ajuda a entender por que diferentes transtornos podem aparecer juntos, mas não significa que exista um único gene responsável pela depressão. O desenvolvimento desse tipo de transtorno envolve uma combinação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais e sociais.

O que o gene RBFOX1 tem a ver com a depressão?

O RBFOX1 atua no controle de outros genes, ajudando a regular quando determinadas informações genéticas são ativadas ou processadas.

Os pesquisadores acreditam que, quando esse regulador apresenta alterações, pode haver efeitos em vários processos importantes do cérebro ao mesmo tempo. Entre eles estão o desenvolvimento dos neurônios, a comunicação entre essas células e a atividade dos neurotransmissores.

Por isso, o RBFOX1 foi comparado pelos pesquisadores a um “maestro”, responsável por coordenar diferentes integrantes de uma orquestra.

A ideia ajuda a explicar por que alterações em um mecanismo central podem estar relacionadas a diferentes características e transtornos ao mesmo tempo.

Estudo identificou 19 genes relacionados à depressão

A pesquisa identificou 19 genes regulados pelo RBFOX1 que apresentaram relevância para a depressão e outros traços frequentemente associados a ela.

Além do próprio RBFOX1, os cientistas destacaram quatro genes:

  • SP4;
  • TCF4;
  • PAX6;
  • CADM2.

Alguns deles também já foram relacionados a outros problemas de saúde mental.

Segundo os pesquisadores, o RBFOX1 aparece associado a diferentes transtornos psiquiátricos. O CADM2 foi relacionado a dependências e outros transtornos. Já o TCF4 apresenta associações com esquizofrenia e insônia.

SP4 e PAX6, por sua vez, já haviam apresentado alterações em modelos de camundongos submetidos a situações de estresse.

Esses resultados reforçam a possibilidade de que diferentes transtornos compartilhem alguns mecanismos biológicos.

Genética explica sozinha quem terá depressão?

Não. A presença de alterações genéticas pode contribuir para uma maior vulnerabilidade, mas não determina sozinha que uma pessoa desenvolverá depressão.

A doença é considerada multifatorial. Isso significa que fatores como histórico familiar, experiências de vida, estresse, condições sociais, saúde física e outros aspectos podem participar do desenvolvimento do transtorno.

Por isso, encontrar genes associados à depressão não permite prever, individualmente, quem terá ou não a doença.

Por que depressão e ansiedade podem aparecer juntas?

Uma das possibilidades levantadas pelo estudo é justamente a existência de mecanismos biológicos compartilhados.

Se uma mesma rede genética participa de processos relacionados ao funcionamento dos neurônios e dos neurotransmissores, alterações nessa rede poderiam contribuir para diferentes manifestações.

Isso ajudaria a explicar por que depressão, ansiedade e neuroticismo são frequentemente observados na mesma pessoa.

Ainda assim, os pesquisadores tratam essa relação como uma hipótese baseada nos dados encontrados. São necessários outros estudos para entender exatamente como essas alterações genéticas influenciam o cérebro e o comportamento.

Descoberta pode ajudar a criar tratamentos mais personalizados

A identificação desses genes pode ter aplicações futuras.

Uma das possibilidades é utilizar as informações para desenvolver biomarcadores, que seriam indicadores capazes de ajudar os profissionais a identificar diferentes perfis de pacientes.

O conhecimento também pode contribuir para a busca de tratamentos que atuem em mecanismos biológicos específicos, em vez de utilizar exatamente a mesma estratégia para todas as pessoas com depressão.

Segundo os pesquisadores, como alguns dos mecanismos envolvidos podem ser comuns a diferentes transtornos, uma abordagem direcionada a essas vias poderia beneficiar pacientes que apresentam mais de uma condição ao mesmo tempo.

Isso, porém, ainda está no campo da pesquisa e não significa que já exista um teste genético capaz de prever a depressão ou um novo tratamento baseado nesses achados.

O que falta descobrir?

A pesquisa foi publicada na revista científica Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry e também contou com pesquisadores da Universidade Goethe de Frankfurt, na Alemanha.

Os cientistas destacam que os resultados ainda precisam ser confirmados em outras amostras.

Outra etapa importante será investigar diferenças entre homens e mulheres. A depressão é mais frequente entre mulheres, e entender se existem mecanismos genéticos diferentes entre os sexos pode ajudar a explicar parte dessa diferença.

A descoberta amplia o conhecimento sobre a origem biológica da depressão, mas ainda não permite apontar uma causa única para o transtorno. O que o estudo sugere é que uma rede de genes, com o RBFOX1 no centro, pode participar de mecanismos que aumentam a vulnerabilidade a diferentes problemas de saúde mental.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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