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Linfoma não Hodgkin: entenda o câncer que causou a morte do cantor Netinho

Entenda o Linfoma não Hodgkin
Entenda o Linfoma não Hodgkin. Imagem: Netinho.com.br/Divulgação
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

O linfoma não Hodgkin, doença que causou a morte do cantor Netinho na terça-feira (13), é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, responsável por parte das defesas do organismo. A doença afeta os linfócitos, células que ajudam o corpo a combater infecções, e pode atingir diferentes órgãos.

Existem vários subtipos desse câncer, com características e ritmos de crescimento diferentes. No caso do cantor, o diagnóstico era de linfoma não Hodgkin de células B do tipo plasmablástico, uma forma rara e agressiva da doença, mais comum em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

Segundo a hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do A.C. Camargo Cancer Center, esse subtipo pode ser mais difícil de tratar e apresenta chances de cura menores do que algumas formas mais conhecidas do linfoma.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 10.180 novos casos de linfoma não Hodgkin em 2026, sendo 5.370 em homens e 4.810 em mulheres.

O que é linfoma não Hodgkin?

O sistema linfático é uma rede de vasos, gânglios e órgãos, como o baço e as amígdalas, que participa da defesa do organismo. Ele transporta a linfa, um líquido que contém células envolvidas na resposta imunológica.

Os linfócitos são um tipo de glóbulo branco que ajuda a combater infecções. Quando essas células sofrem alterações e passam a se multiplicar de forma descontrolada, podem dar origem a um linfoma.

A doença de linfoma não Hodgkin pode começar nos linfonodos, também chamados de gânglios linfáticos, encontrados em regiões como pescoço, axilas e virilhas. Também pode surgir em outros órgãos e tecidos.

Os principais grupos incluem os linfomas de células B, os de células T e os de células NK. Os linfomas de células B são os mais frequentes e correspondem a cerca de 85% dos casos, segundo a descrição apresentada na matéria.

Quais são os sintomas do linfoma não Hodgkin?

Os sinais variam conforme o subtipo, a localização do tumor e a velocidade de crescimento da doença. Um dos sintomas mais conhecidos do linfoma não Hodgkin é o aumento dos gânglios linfáticos, que pode aparecer como um caroço no pescoço, nas axilas ou na virilha.

Outros sinais possíveis incluem:

  • Febre persistente sem causa aparente;
  • Suores noturnos intensos;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Cansaço frequente;
  • Coceira na pele;
  • Dor ou inchaço abdominal;
  • Tosse ou dificuldade para respirar;
  • Náuseas e vômitos em alguns casos.

Nas formas mais agressivas, também podem ocorrer dores em diferentes regiões do corpo, fraqueza e alterações neurológicas, dependendo dos órgãos atingidos.

Esses sintomas não significam necessariamente câncer, pois podem estar relacionados a outras condições. No entanto, o aumento persistente dos gânglios, a perda de peso inexplicável e a febre recorrente precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Quais são os fatores de risco?

A causa exata de muitos casos de linfoma não Hodgkin ainda não é conhecida. Entretanto, alguns fatores estão associados ao aumento do risco de desenvolver a doença.

Entre eles estão idade avançada, alterações no sistema imunológico, doenças autoimunes e exposição a determinados tipos de radiação ou substâncias químicas.

Algumas infecções também estão relacionadas a subtipos específicos de linfoma. Entre os agentes estudados estão o vírus Epstein-Barr, o HIV, o HTLV e a bactéria Helicobacter pylori.

Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença. Da mesma forma, o linfoma pode surgir em pessoas sem fatores de risco conhecidos.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação do linfoma não Hodgkin começa com a avaliação clínica e pode incluir exames de sangue e de imagem. Para confirmar o diagnóstico, geralmente é necessária uma biópsia, procedimento em que uma amostra de tecido é retirada para análise.

Conforme o caso, também podem ser solicitados exames como tomografia, ressonância magnética e PET-CT. Em algumas situações, a equipe médica avalia a medula óssea para verificar se a doença atingiu esse tecido.

Após a confirmação, é feito o estadiamento, que identifica a extensão do câncer no organismo. A classificação mais utilizada vai do estágio I ao IV.

  • Estágio I: a doença está localizada em uma região de linfonodos ou em uma única área específica.
  • Estágio II: há comprometimento de duas ou mais regiões de linfonodos do mesmo lado do diafragma.
  • Estágio III: a doença atinge regiões de linfonodos acima e abaixo do diafragma.
  • Estágio IV: há disseminação para órgãos ou tecidos fora do sistema linfático, como a medula óssea, o fígado ou os pulmões.

O estágio é apenas um dos fatores considerados na escolha do tratamento. O subtipo do linfoma, a velocidade de crescimento e as condições gerais do paciente também influenciam a decisão médica.

Como é o tratamento do linfoma não Hodgkin?

O tratamento depende do tipo de linfoma, do estágio da doença e das condições de saúde do paciente. Entre as opções estão quimioterapia, radioterapia, medicamentos que atuam sobre alvos específicos das células tumorais e imunoterapia.

Em determinados casos, também pode ser indicado o transplante de células-tronco hematopoéticas, conhecido popularmente como transplante de medula óssea.

Nos últimos anos, novas terapias ampliaram as opções para alguns pacientes com linfomas de células B, especialmente quando a doença não responde aos tratamentos iniciais ou retorna após o tratamento.

Entre essas alternativas estão os anticorpos biespecíficos, medicamentos que ajudam a aproximar células de defesa das células tumorais, favorecendo o ataque do sistema imunológico ao câncer.

Outra opção é a terapia CAR-T, que modifica células de defesa do próprio paciente em laboratório para que reconheçam e ataquem as células cancerígenas. Essa abordagem é indicada apenas para situações específicas e depende da avaliação médica.

Apesar dos avanços, a resposta ao tratamento varia de acordo com o subtipo da doença e as características de cada paciente. Por isso, o diagnóstico preciso é fundamental para definir a estratégia terapêutica mais adequada.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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