A obesidade no Brasil representa um dos principais desafios para a saúde pública e também para a economia nacional. Um estudo do Instituto Cordial estima que a doença gera um custo anual de R$ 44,6 bilhões, valor equivalente a cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção é de que esse impacto ultrapasse R$ 60,5 bilhões por ano até 2033, caso o avanço da obesidade continue no ritmo atual.
O levantamento considera não apenas as despesas com atendimento médico, mas também perdas na arrecadação de impostos, benefícios previdenciários e impactos provocados pela redução da produtividade da população economicamente ativa. Os dados reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade em todo o país.
Custos da obesidade no Brasil pressionam o sistema de saúde
Grande parte desse impacto financeiro está concentrada no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o estudo, os gastos diretos chegam a R$ 29,56 bilhões por ano, incluindo internações, consultas, exames, cirurgias, acompanhamento clínico e medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e de doenças associadas.
Somente as internações representam cerca de R$ 911,6 milhões anuais. Já os medicamentos destinados ao tratamento da obesidade e de comorbidades, como diabetes e hipertensão, somam aproximadamente R$ 983,8 milhões por ano. Esses valores tendem a crescer à medida que aumenta o número de brasileiros diagnosticados com excesso de peso.
Além do tratamento direto, a obesidade está relacionada ao agravamento de diversas doenças crônicas, elevando a demanda por serviços especializados e aumentando a pressão sobre toda a rede pública de saúde.
Impactos econômicos vão além da saúde
Os reflexos financeiros da obesidade não se limitam ao SUS. O estudo aponta uma perda anual de R$ 9,94 bilhões em arrecadação tributária, sendo R$ 7,35 bilhões referentes a impostos diretos e R$ 2,59 bilhões ligados aos tributos indiretos.
Outro fator relevante é o crescimento das despesas previdenciárias. A condição está associada a aproximadamente R$ 6,05 bilhões em gastos com aposentadorias por invalidez e outros benefícios relacionados à incapacidade para o trabalho, afetando mais de 240 mil pessoas.
Esses números demonstram que a obesidade produz efeitos econômicos em diferentes setores, reduzindo a produtividade, aumentando o afastamento do trabalho e ampliando os custos para o poder público.
Mulheres enfrentam maior impacto no mercado de trabalho
O levantamento também evidencia diferenças importantes entre homens e mulheres. Segundo os dados apresentados, mulheres com obesidade registram perdas salariais entre 4% e 9% quando comparadas às profissionais sem a condição. Em alguns casos, essa diferença pode alcançar até 15%.
Entre os homens, por outro lado, o estudo não identificou impacto significativo sobre os salários. Os resultados reforçam debates sobre desigualdade de gênero e possíveis fatores sociais que influenciam o mercado de trabalho.
Tratamento da obesidade continua em debate no SUS
O acesso a medicamentos para tratamento da obesidade também permanece em discussão no sistema público de saúde. Nos últimos anos, medicamentos como Ozempic e Wegovy passaram a ganhar destaque por seus resultados no controle do peso, aumentando o interesse da população e dos profissionais de saúde.
Entretanto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) decidiu não recomendar a incorporação do Wegovy ao sistema público. Entre os principais motivos apresentados está o elevado impacto financeiro, estimado em até R$ 8 bilhões, caso o medicamento fosse disponibilizado em larga escala.
A decisão reforça o desafio de equilibrar a oferta de novas tecnologias com a sustentabilidade financeira do SUS, considerando o crescimento contínuo da obesidade no país.
Prevenção continua sendo a principal estratégia
Especialistas defendem que políticas públicas voltadas à alimentação saudável, incentivo à prática de atividade física, educação em saúde e diagnóstico precoce continuam sendo as estratégias mais eficazes para reduzir os impactos da obesidade no Brasil.
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Além de melhorar a qualidade de vida da população, medidas preventivas podem diminuir a incidência de doenças associadas, reduzir gastos públicos e contribuir para um sistema de saúde mais sustentável nos próximos anos. O acompanhamento da evolução desses indicadores será importante para orientar futuras decisões sobre investimentos, prevenção e tratamento da doença.




