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Sinais de suicídio: como reconhecer mudanças em cada fase da vida

Sinais de suicídio
Sinais de suicídio. Imagem: Mikhail Nilov/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

Reconhecer mudanças importantes no comportamento pode ajudar a identificar pessoas que estão passando por um sofrimento emocional grave. Os sinais de suicídio não aparecem da mesma forma em todas as idades, mas falas sobre morte ou sobre não querer mais viver, isolamento e desesperança devem ser levados a sério.

A psicóloga e especialista em saúde mental Luana Carvalho explica que a escuta atenta é uma das principais formas de oferecer apoio a alguém em sofrimento. O primeiro passo é não deixar a pessoa sozinha, acolher o que ela está sentindo e evitar julgamentos.

Também é importante ajudar na busca por atendimento profissional. Psicólogos, psiquiatras e outros serviços de saúde podem avaliar a situação e indicar o cuidado mais adequado.

“Nesse momento, mais do que tentar encontrar as palavras perfeitas, o importante é estar presente e ajudar a pessoa a chegar até o cuidado adequado”, explica a psicóloga.

Quais são os principais sinais de suicídio?

Algumas mudanças merecem atenção, principalmente quando aparecem juntas ou representam uma alteração clara em relação ao comportamento habitual da pessoa.

Entre os sinais de suicídio que precisam ser observados estão falas sobre morte, desaparecimento ou vontade de não existir. Frases como “não quero mais viver”, “seria melhor se eu não estivesse aqui” ou manifestações de que não existe saída para os problemas também são importantes.

Outros sinais de suicídio podem incluir:

  • Isolamento de familiares e amigos;
  • Perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • Sentimento intenso de desesperança;
  • Mudanças importantes no sono ou no apetite;
  • Despedidas incomuns;
  • Organização repentina de assuntos pessoais;
  • Doação de objetos com valor emocional;
  • Mudanças bruscas de comportamento.

Um único sinal não é suficiente para concluir que existe risco de suicídio. O que merece atenção é a mudança no comportamento, principalmente quando há vários sinais ao mesmo tempo.

Sinais de suicídio podem mudar conforme a idade

Embora alguns sinais de suicídio sejam comuns em diferentes fases da vida, o sofrimento pode aparecer de maneiras diferentes em crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Por isso, a orientação da psicóloga é observar principalmente o que mudou em relação ao comportamento habitual daquela pessoa.

Adolescentes

Entre adolescentes, os sinais de suicídio podem aparecer na forma de irritabilidade, isolamento, queda no rendimento escolar, mudanças repentinas de comportamento e conflitos mais intensos.

Nem sempre o sofrimento será demonstrado por tristeza. A irritação constante, a perda de interesse por atividades e o afastamento de amigos e familiares também podem indicar que algo não está bem.

Falas relacionadas à morte, à falta de esperança ou à sensação de ser um problema para outras pessoas precisam de atenção imediata.

Adultos

Em adultos, podem aparecer esgotamento intenso, desesperança, afastamento social, perda de interesse pelas atividades e a sensação de que os problemas não têm solução.

Mudanças na rotina, dificuldades para dormir, alteração do apetite e aumento do consumo de álcool ou outras substâncias também merecem atenção quando surgem junto com outros sinais.

Idosos

Entre idosos, o isolamento pode ser um sinal importante. Também devem ser observados perda de autonomia, sentimentos de inutilidade, sofrimento após um luto, abandono e mudanças relevantes no comportamento.

Falas de que a pessoa está atrapalhando ou se tornou um peso para a família também precisam ser levadas a sério.

Segundo Luana, entretanto, a idade não deve ser analisada isoladamente. É mais importante perceber se houve uma mudança em relação ao comportamento que aquela pessoa costumava apresentar.

Como ajudar alguém com pensamentos suicidas?

Ao identificar possíveis sinais de suicídio, o primeiro passo é se aproximar e ouvir. A pessoa deve perceber que pode falar sobre o que está sentindo sem ser criticada ou desacreditada.

Não é necessário encontrar uma solução imediata para todos os problemas. O mais importante é permanecer presente e ajudar a pessoa a chegar a um profissional ou serviço de saúde.

Também não é recomendado deixar sozinha uma pessoa que esteja em situação de risco imediato. Nesses casos, familiares ou amigos devem procurar atendimento de urgência.

Falar sobre suicídio de maneira direta e acolhedora não significa estimular o comportamento. Pelo contrário, a conversa pode abrir espaço para que a pessoa peça ajuda e deixe de enfrentar o sofrimento em silêncio.

Quem ajuda também precisa de cuidados

Familiares e amigos que acompanham alguém em sofrimento podem acabar assumindo uma responsabilidade maior do que conseguem suportar.

A psicóloga Luana Carvalho alerta que tentar resolver tudo sozinho pode provocar ansiedade, culpa, exaustão e sensação de impotência.

“Familiares e amigos podem acabar assumindo uma responsabilidade muito grande e acreditar que precisam resolver tudo sozinhos. Isso pode gerar ansiedade, culpa, exaustão e até sensação de impotência. É preciso entender que ser uma pessoa de apoio não significa ser o tratamento. Todos podem acolher, mas o cuidado precisa ser compartilhado com profissionais”, explica.

A psiquiatra Elaine Bida também destaca a importância de cuidar da própria saúde mental. Exercícios físicos, momentos de descanso, meditação, convivência social e atividades que proporcionem sensação de utilidade e acolhimento podem ajudar a reduzir a sobrecarga.

“Manter a nossa saúde mental em dia é essencial para ajudar quem precisa sem nos sentirmos culpados ou responsáveis. A prevenção é o melhor remédio”, afirma.

Onde buscar ajuda

Pessoas que estejam passando por sofrimento intenso, tenham pensamentos de morte ou apresentem sinais de suicídio devem procurar ajuda profissional.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, além de atendimento por outros canais disponíveis no site cvv.org.br.

Em uma emergência, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192. Também é possível procurar uma Unidade Básica de Saúde, um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) ou outro serviço da Rede de Atenção Psicossocial do SUS.

Quando existe risco imediato, a pessoa não deve ficar sozinha e deve ser encaminhada para um serviço de urgência.

Reconhecer os sinais de suicídio não significa tentar fazer um diagnóstico. Significa perceber que existe um possível sofrimento grave e ajudar a pessoa a chegar ao cuidado de que precisa.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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