A tadalafila, medicamento indicado para o tratamento da disfunção erétil e da hipertensão arterial pulmonar, vem sendo utilizada por um número crescente de jovens sem indicação médica. O aumento das vendas e a popularização do medicamento em academias e redes sociais preocupam especialistas, que alertam para os riscos do uso recreativo, especialmente entre pessoas que não possuem indicação clínica para o tratamento.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que a comercialização da tadalafila aumentou significativamente na última década. Em 2025, foram vendidas cerca de 74,9 milhões de caixas do medicamento, número superior às 64,7 milhões registradas em 2024 e muito acima das 3,2 milhões comercializadas em 2015. Embora os dados não indiquem a idade dos consumidores, médicos afirmam que a procura por jovens tem aumentado nos consultórios.
Uso recreativo preocupa especialistas
Segundo urologistas, muitos jovens passaram a utilizar a tadalafila na tentativa de melhorar o desempenho sexual ou potencializar a performance durante atividades físicas, apesar de não existirem evidências científicas que comprovem benefícios para pessoas saudáveis.
Especialistas explicam que o medicamento atua como vasodilatador, aumentando o fluxo sanguíneo em situações específicas para as quais foi desenvolvido. No entanto, esse mecanismo não significa melhora da capacidade física, aumento da força muscular ou desempenho sexual em indivíduos sem diagnóstico de disfunção erétil.
Além disso, o uso frequente sem necessidade clínica pode levar algumas pessoas a acreditar que somente conseguirão manter um bom desempenho após utilizar o medicamento.
Dependência psicológica é uma das preocupações
Embora a tadalafila não provoque dependência química, médicos alertam para a possibilidade de desenvolvimento de dependência psicológica.
Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Urologia, alguns usuários passam a associar o desempenho sexual ao uso do medicamento, reduzindo a confiança na própria capacidade e tornando o consumo cada vez mais frequente.
Esse comportamento pode provocar ansiedade, insegurança e dificultar a construção de uma relação saudável com a sexualidade, principalmente entre adultos jovens.
Quais são os principais riscos da tadalafila
Quando utilizada sem orientação médica, a tadalafila pode provocar efeitos adversos que variam de leves a graves.
Entre os sintomas mais frequentes estão dor de cabeça, congestão nasal, dores musculares, azia e desconforto gastrointestinal. Em situações mais raras, podem ocorrer alterações na visão, perda auditiva temporária, queda importante da pressão arterial e priapismo, condição caracterizada por ereção prolongada que exige atendimento médico imediato.
O risco também aumenta quando o medicamento é associado ao consumo de bebidas alcoólicas, estimulantes ou medicamentos à base de nitratos, utilizados por pacientes com doenças cardiovasculares. Essas combinações podem potencializar efeitos indesejados e provocar complicações clínicas.
Redes sociais influenciam o consumo
Especialistas observam que conteúdos publicados nas redes sociais e relatos compartilhados por influenciadores contribuíram para popularizar o uso recreativo da tadalafila.
Em muitos casos, o medicamento é apresentado de forma equivocada como um recurso para melhorar a aparência muscular, aumentar a vascularização durante os treinos ou potencializar o desempenho sexual. Entretanto, essas alegações não possuem comprovação científica para pessoas sem indicação médica.
Os profissionais reforçam que medicamentos devem ser utilizados apenas quando prescritos por profissionais habilitados, após avaliação clínica individualizada.
Uso deve ocorrer apenas com orientação médica
A tadalafila continua sendo um medicamento seguro quando utilizada para as indicações aprovadas e sob acompanhamento médico. O tratamento adequado considera fatores como histórico de saúde, presença de doenças cardiovasculares, uso de outros medicamentos e possíveis contraindicações.
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Especialistas destacam que qualquer dificuldade relacionada ao desempenho sexual ou sintomas persistentes deve ser investigada por um profissional de saúde, evitando a automedicação e reduzindo o risco de complicações.
A orientação médica continua sendo a forma mais segura de utilizar a tadalafila, garantindo que seus benefícios sejam alcançados sem colocar a saúde em risco.




