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UFMG identifica antígenos que podem abrir caminho para uma vacina contra a malária

O CTVacinas da UFMG identificou antígenos que podem abrir caminho para uma futura vacina de amplo espectro contra a malária. Ainda não é uma vacina disponível — entenda a descoberta.
Pesquisa da UFMG sobre antigenos para uma vacina contra a malaria, desenvolvida no CTVacinas em Minas Gerais
Pesquisadoras do CTVacinas da UFMG durante análise de dados sobre a malária — Imagem: IA
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

Uma pesquisa do Centro de Tecnologias de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificou antígenos — partes do parasita reconhecidas pelo sistema imunológico — que podem ajudar no desenvolvimento de uma vacina contra a malária de amplo espectro, uma das doenças infecciosas que mais matam no mundo. O trabalho, liderado pelas pesquisadoras Camila Barbosa e Luna de Lacerda, sob coordenação de Caroline Junqueira, foi destacado pela revista Nature, o que reforça a relevância internacional da ciência feita em Minas. Vale o contexto: trata-se de identificação de alvos para vacinas — um passo de base, e não uma vacina já disponível.

Resumo

  • Pesquisadoras do CTVacinas/UFMG identificaram antígenos do parasita da malária reconhecidos pelo sistema imune humano.
  • A técnica usada foi a imunopeptidômica, que mapeia com precisão as proteínas-alvo do parasita.
  • Foram 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do Plasmodium vivax; muitos nunca antes considerados para vacinas.
  • Os alvos são “altamente conservados”: mudam pouco entre variantes, o que pode ampliar a proteção.
  • É pesquisa de base — ainda não há vacina pronta a partir desses achados.

🌍 O peso da malária no mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (Relatório Mundial da Malária 2024), houve cerca de 263 milhões de casos e 597 mil mortes por malária em 2023 — aproximadamente 94% deles na África. A doença é causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de mosquitos.

O que os cientistas descobriram

Usando a imunopeptidômica, a equipe mapeou quais proteínas do Plasmodium vivax são reconhecidas pelo sistema imunológico humano. Foram identificados 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita — muitos deles nunca antes considerados como alvos de vacina. Segundo a pesquisa, os alvos são altamente conservados (sofrem menos mutações), o que poderia garantir proteção contra diferentes variantes: 71% das proteínas identificadas são comuns a várias espécies de Plasmodium e 75% aparecem em diferentes fases do ciclo de vida do parasita.

O que muda na busca por uma vacina contra a malária

A maioria das vacinas de malária mira uma fase específica do parasita, e a variabilidade do Plasmodium dificulta uma proteção ampla. Ao apontar alvos conservados e reconhecidos pelos linfócitos T CD8+ — células que ajudam a eliminar células infectadas —, o estudo abre caminho para uma nova geração de vacinas de amplo espectro. Dois dos antígenos analisados mostraram capacidade de induzir proteção em modelos experimentais (em laboratório), o que orienta as próximas etapas. Os pesquisadores apontam ainda que a abordagem pode servir de modelo para estudos sobre outras doenças, como a dengue e a febre amarela.

Em que estágio está (e o que ainda falta)

Este é um avanço da pesquisa de base: identificar bons alvos é o primeiro passo. Até virar uma vacina disponível, ainda são necessários o desenvolvimento do imunizante, testes pré-clínicos e ensaios clínicos em pessoas — um caminho de anos.

🔬 Como nasce uma vacina

1. Pesquisa de base — identificar os alvos ◄ estamos aqui

2. Testes em laboratório — validar os antígenos

3. Testes em animais — segurança e resposta imune

4. Ensaios clínicos — testes em pessoas, em fases

5. Aprovação e uso — liberação pelas agências reguladoras

Por isso não existe, ainda, vacina baseada nesses antígenos — e a prevenção da malária hoje segue com as ferramentas já conhecidas.

Perguntas frequentes

Já existe essa vacina? Não. O estudo identificou alvos promissores; a vacina ainda precisa ser desenvolvida e testada.

O que são antígenos? São partes do microrganismo (neste caso, do parasita da malária) que o sistema imunológico reconhece — e que servem de alvo para as vacinas.

O que a imunopeptidômica faz? Mapeia quais pedaços das proteínas do parasita o sistema imune humano reconhece, ajudando a escolher os melhores alvos.

Onde a pesquisa foi feita? No CTVacinas da UFMG, em Minas Gerais, com destaque da revista Nature.

A malária é transmitida por mosquitos, e entender por que algumas pessoas atraem mais mosquitos também faz parte do combate à doença. Avanços de base como este — feitos por ciência pública brasileira — são o que, no futuro, podem tornar possível uma vacina mais ampla e eficaz.

Sobre o autor
A Redação do SERTEP Notícias é a equipe editorial responsável pela apuração, checagem e publicação das reportagens do portal — o braço de comunicação da SERTEP – Núcleo de Neurodiversidade. Especializada em saúde, neurodiversidade, inclusão e serviços públicos do Vale do Aço (MG), trabalha com fontes oficiais, checagem factual e linguagem clara, sempre com o beneficiário da notícia no centro. Conheça nossos padrões na Política Editorial.

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