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Vacina personalizada contra câncer reduz risco de melanoma voltar em estudo de fase 3

Vacina contra o câncer reduz risco de melanoma voltar
Vacina contra o câncer reduz risco de melanoma voltar. Imagem: Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

Uma vacina contra o câncer personalizada reduziu de forma significativa o risco de o melanoma voltar após a cirurgia quando combinada ao medicamento pembrolizumabe, segundo resultados preliminares de um estudo clínico de fase 3 divulgado nesta quarta-feira (19) pelas empresas Moderna e Merck.

O tratamento experimental, chamado intismeran autogene, foi desenvolvido a partir das características genéticas do tumor de cada paciente. Na pesquisa, ele foi usado junto com o Keytruda (pembrolizumabe), um imunoterápico já utilizado no tratamento do melanoma.

O estudo atingiu os dois principais objetivos avaliados: sobrevida livre de recorrência e sobrevida livre de metástase à distância. A pesquisa continuará para avaliar outros resultados, incluindo a sobrevida global.

Como funciona a vacina contra o câncer?

Apesar de ser chamada de vacina contra o câncer, a estratégia é diferente das vacinas usadas para prevenir infecções.

Nesse caso, o tratamento é produzido especificamente para o tumor de cada paciente. Primeiro, uma amostra do câncer é analisada para identificar as mutações presentes nas células tumorais.

A partir desse perfil, é criada uma molécula de RNA mensageiro (mRNA) capaz de apresentar ao sistema imunológico até 34 neoantígenos, que são características específicas do tumor.

A intenção da vacina contra o câncer é ensinar o sistema de defesa do organismo a reconhecer essas alterações e atacar as células que apresentam os alvos identificados.

O pembrolizumabe atua de outra forma. O medicamento bloqueia a proteína PD-1, ajudando os linfócitos T a manter a capacidade de identificar e combater células cancerígenas.

A combinação, portanto, procura estimular uma resposta imunológica direcionada ao tumor e, ao mesmo tempo, facilitar a ação das células de defesa.

Estudo avaliou 1.137 pacientes com melanoma

O estudo de fase 3 INTerpath-001 contou com 1.137 pacientes com melanoma cutâneo em estágios IIB a IV, todos submetidos à retirada completa do tumor por cirurgia.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Cerca de dois terços receberam a combinação da vacina contra o câncer personalizada com pembrolizumabe, enquanto o restante recebeu apenas pembrolizumabe.

O acompanhamento foi realizado após a cirurgia, em uma estratégia chamada tratamento adjuvante, cujo objetivo é reduzir o risco de a doença voltar.

De acordo com a análise interina, realizada antes do encerramento definitivo do estudo, a combinação apresentou resultados estatisticamente significativos e clinicamente relevantes tanto para o tempo sem recidiva quanto para o tempo sem metástase à distância.

O que os resultados mostraram?

Segundo as empresas responsáveis pela pesquisa, os pacientes que receberam intismeran autogene mais pembrolizumabe tiveram melhores resultados do que aqueles tratados apenas com pembrolizumabe.

O principal desfecho, a sobrevida livre de recorrência, considera o período até que o câncer volte ou o paciente morra por qualquer causa.

O segundo desfecho, a sobrevida livre de metástase à distância, avalia o tempo até o surgimento de uma disseminação do câncer para outras partes do corpo ou a morte.

Os percentuais detalhados da redução de risco dessa análise preliminar ainda não foram divulgados pelas empresas. Os resultados completos serão apresentados posteriormente em um congresso médico internacional e enviados às autoridades regulatórias.

Melanoma é um dos tipos mais agressivos de câncer de pele

O melanoma se desenvolve nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, pigmento que dá cor à pele.

Embora represente uma parcela menor dos cânceres de pele, o melanoma é considerado um dos tipos mais agressivos por sua capacidade de se espalhar para outros órgãos.

Mesmo quando o tumor é completamente retirado por cirurgia, ainda existe risco de recidiva em pacientes com doença de maior risco. É justamente nesse cenário que a vacina contra o câncer personalizada está sendo estudada.

Resultado de fase 3 ainda não significa que a vacina está disponível

Apesar dos resultados positivos, o intismeran autogene ainda é um tratamento experimental.

O estudo de fase 3 continuará para avaliar outros desfechos importantes, principalmente a sobrevida global. Depois, os dados completos deverão ser analisados pelas autoridades regulatórias antes que qualquer eventual aprovação seja considerada.

Isso significa que o tratamento com a vacina contra o câncer ainda não pode ser considerado uma opção disponível para pacientes com melanoma fora dos contextos de pesquisa ou das indicações que venham a ser futuramente aprovadas.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado resultados promissores

Os novos dados dão continuidade aos resultados de um estudo anterior, de fase 2b, realizado com pacientes com melanoma de alto risco.

Em uma análise com cinco anos de acompanhamento, a combinação de intismeran autogene e pembrolizumabe foi associada a uma redução de 49% no risco de recorrência ou morte e de 59% no risco de metástase à distância ou morte, em comparação com o pembrolizumabe isolado.

Esses resultados anteriores ajudaram a sustentar a continuidade da pesquisa em um estudo de fase 3, que agora apresentou seu primeiro resultado positivo.

Tecnologia também está sendo estudada para outros tipos de câncer

A plataforma não está sendo investigada apenas para o melanoma.

Segundo Moderna e Merck, o programa de desenvolvimento da vacina contra o câncer inclui estudos com a mesma tecnologia em outros tipos de tumores, como câncer de pulmão de células não pequenas, câncer de bexiga e carcinoma renal.

Também existem pesquisas em fases mais iniciais para outros tipos de câncer, incluindo tumores de pâncreas, estômago e pulmão.

A estratégia utiliza a tecnologia de mRNA para criar tratamentos adaptados às características de cada tumor, em vez de aplicar exatamente o mesmo produto a todos os pacientes.

O que falta para a vacina chegar aos pacientes?

O resultado divulgado representa um avanço importante para a pesquisa de tratamentos personalizados contra o câncer, mas ainda existem etapas antes de uma possível mudança na prática clínica.

Os pesquisadores precisam acompanhar os participantes, analisar os resultados completos e verificar principalmente o impacto da vacina contra o câncer sobre a sobrevida global, além de reunir os dados necessários para uma eventual avaliação pelas autoridades regulatórias.

Por enquanto, o que o estudo mostra é que a combinação entre uma terapia personalizada baseada em mRNA e um imunoterápico apresentou resultados positivos em pacientes com melanoma de alto risco após a cirurgia.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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