A vacina Qdenga apresentou 28 casos de hipersensibilidade entre mais de 146 mil doses aplicadas em crianças de 6 a 14 anos em Belo Horizonte, segundo pesquisa citada no material original. O levantamento encontrou incidência de reações alérgicas superior à observada em ensaios clínicos e reacendeu o debate sobre a vigilância após a vacinação contra a dengue.
Entre os 28 casos, 9 foram classificados como anafilaxia. Dois evoluíram para choque anafilático. Todas as reações ocorreram após a primeira dose, e todas as crianças receberam atendimento médico imediato, com recuperação em até 48 horas.
A média de idade das crianças afetadas foi de 9,4 anos. A incidência calculada foi de 191,6 eventos adversos por milhão de doses, o equivalente a cerca de um caso a cada 10 mil aplicações. No caso das anafilaxias, a taxa em Belo Horizonte foi de 61,6 por milhão, acima da média nacional informada no estudo, de 36,4 por milhão.
O que o estudo da vacina Qdenga encontrou em Belo Horizonte
A vacina Qdenga foi analisada depois que profissionais de saúde observaram um número de reações alérgicas acima do esperado durante a campanha de vacinação. A partir dessas notificações, pesquisadores revisaram registros no e-SUS Notifica e reclassificaram os casos com critérios padronizados para anafilaxia.
Segundo o infectologista Alexandre Sampaio Moura, da Faculdade da Santa Casa e um dos autores do estudo, o objetivo da pesquisa não é desacreditar a vacina, mas aprimorar a vigilância pós-vacinação. A análise aponta a necessidade de identificar, notificar e responder rapidamente a eventos adversos, especialmente em campanhas voltadas a crianças.
A vacina Qdenga, desenvolvida pela Takeda, foi incorporada ao Sistema Único de Saúde em 2024 para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Em Belo Horizonte, o estudo avaliou aplicações em uma faixa mais ampla, de 6 a 14 anos, o que torna os dados locais relevantes para gestores e equipes de saúde.
Vacina Qdenga exige aplicação com suporte clínico
A vacina Qdenga já tem reações alérgicas, incluindo anafilaxia, documentadas em bula, conforme posicionamento da Takeda citado no material original. A empresa pediu cautela na interpretação dos dados, por se tratarem de relatos concentrados em local e período específicos, e afirmou que a segurança do imunizante segue respaldada por evidências clínicas e acompanhamento de longo prazo.
No entanto, o estudo reforça a necessidade de aplicação em ambientes estruturados. Das 28 reações alérgicas identificadas, 12 ocorreram nos primeiros 15 minutos após a vacinação, período em que a presença de profissionais capacitados e suporte clínico imediato pode reduzir riscos.
Para famílias e cuidadores, a orientação prática é acompanhar a criança após a aplicação e procurar atendimento imediatamente se surgirem sinais de reação alérgica. Para os serviços de saúde, a pesquisa indica a importância de equipes preparadas, registro adequado das notificações e monitoramento próximo após a primeira dose da vacina Qdenga.
O que os resultados significam para a vacinação contra a dengue
Apesar da incidência de reações alérgicas observada em Belo Horizonte ter sido superior à registrada nos estudos clínicos, os pesquisadores destacam que os eventos continuam sendo considerados raros diante do volume de doses aplicadas.
Os autores defendem que os resultados contribuam para fortalecer a farmacovigilância, permitindo identificar rapidamente possíveis eventos adversos e aperfeiçoar os protocolos de atendimento.
A principal conclusão é que campanhas de vacinação devem manter equipes treinadas, estrutura para resposta imediata e sistemas eficientes de notificação, garantindo que a imunização continue sendo realizada com segurança e acompanhamento adequado da população. Essas medidas ajudam a ampliar a confiança da população nas campanhas de vacinação.
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