O Ministério da Saúde anunciou na terça-feira, 30 de junho de 2026, um plano nacional de saúde e clima com investimento de R$ 9,8 bilhões para preparar o SUS para os efeitos do El Niño e das mudanças climáticas. A proposta reúne medidas de vigilância, resposta a desastres, comunicação pública e reforço de insumos para reduzir riscos à população durante períodos de calor extremo, secas, enchentes e eventos climáticos que pressionam a rede pública de atendimento.
Durante a apresentação, o ministro Alexandre Padilha afirmou que a crise climática já aparece como problema direto de saúde pública. “A crise na saúde pública decorrente das mudanças climáticas é, talvez, uma das faces mais dolorosas e mais evidentes para a população dos impactos das mudanças climáticas”, disse.
Como o plano de saúde e clima será organizado no SUS
O plano de saúde e clima prevê cinco frentes de atuação. A primeira será uma sala de situação para coordenar ações com estados, municípios e órgãos de Defesa Civil durante eventos extremos. A segunda frente trata da mobilização de equipes para atendimento em territórios isolados.
A terceira envolve comunicação com gestores, profissionais de saúde e população, com orientações oficiais antes e durante situações de risco. A quarta frente inclui vigilância e monitoramento de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos. O ministério citou o Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que emitirá alertas de calor extremo com até cinco dias de antecedência.
A quinta frente prevê reforço de medicamentos, vacinas, água segura e estruturas de resposta rápida. A pressão sobre serviços públicos em períodos críticos também aparece em cenários locais, como ocorre quando a UPA de Ipatinga opera acima da capacidade e precisa orientar a população sobre o uso adequado da rede.
Saúde e clima terá bases da Força Nacional do SUS
O eixo de saúde e clima também inclui a expansão da Força Nacional do SUS. O ministério informou que serão oito bases distribuídas por todas as regiões do país para acelerar a resposta em emergências. O governo anunciou ainda a criação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima nas cinco regiões brasileiras. O primeiro será inaugurado na Bahia, segundo o Ministério da Saúde.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, o Brasil registrou cerca de 120 mil mortes relacionadas ao aumento das temperaturas médias nos últimos 20 anos. O dado foi citado pelo governo para justificar a adaptação dos serviços de saúde. Informações institucionais sobre políticas nacionais podem ser consultadas no Ministério da Saúde.
Protocolo de saúde e clima inclui orientações para idosos
Na área de saúde e clima, o ministério também anunciou um protocolo específico para idosos. As orientações incluem hidratação constante e proteção contra exposição ao sol, medidas voltadas a um grupo mais vulnerável aos efeitos do calor extremo.
A preparação da rede depende da articulação entre vigilância, atenção básica, urgência e hospitais. Em períodos sazonais, a alta demanda já afeta estruturas assistenciais, como o Hospital Márcio Cunha, que opera em capacidade máxima durante o inverno.
Padilha afirmou que “a adaptação dos sistemas de saúde é urgente” e disse que a preparação dos serviços deve ocorrer junto às ações de mitigação das emissões de carbono. O plano será executado com apoio de gestores locais, equipes de saúde e Defesa Civil.




