Mulheres com deficiência serão o foco de um debate sobre inclusão no trabalho em 24 de julho de 2026, no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo, durante o evento “35 anos da Lei de Cotas – Trabalho: um direito de todas as pessoas”.
O encontro ocorre em um cenário de desigualdade no mercado formal. Embora as mulheres representem cerca de 44% dos empregos formais no Brasil, elas são apenas 38% das pessoas com deficiência empregadas com carteira assinada.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE, o Brasil registrou cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com mais de dois anos. O levantamento também indica maior prevalência de deficiência entre mulheres.
Mulheres com deficiência ocupam menos vagas formais
As mulheres enfrentam barreiras que combinam desigualdade de gênero, falta de acessibilidade e preconceito no ambiente profissional. Essa combinação reduz o acesso a vagas, limita a progressão na carreira e dificulta a chegada a cargos de liderança.
A Lei nº 8.213, de 1991, conhecida como Lei de Cotas, determina que empresas com 100 ou mais empregados reservem de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência. No entanto, até o fim de 2024, dos cerca de 964,6 mil postos que deveriam existir, apenas 556,4 mil estavam ocupados.
O déficit ultrapassa 408 mil vagas no país. Em São Paulo, estado com o maior número de empresas obrigadas pela regra, havia aproximadamente 398,4 mil vagas reservadas e 205,8 mil preenchidas, conforme dados da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.
Capacitismo afeta mulheres com deficiência no trabalho
Mulheres com deficiência também enfrentam a percepção de que teriam menor capacidade produtiva, barreira apontada por representantes da área como um entrave à inclusão efetiva.
José Carlos do Carmo, coordenador da Câmara Paulista para a Inclusão da Pessoa com Deficiência, afirma que o preconceito ainda interfere nas contratações e na permanência desses profissionais: “Essa abordagem capacitista é um dos maiores obstáculos à inclusão”.
Além disso, o evento discutirá a pejotização, prática que reduz a base de empregados formais usada no cálculo das cotas. Na avaliação dos organizadores, isso diminui o número de vagas reservadas e enfraquece a aplicação de políticas afirmativas.
A Carta em Comemoração aos 35 anos da Lei de Cotas, prevista para leitura durante o encontro, afirma que a inclusão no trabalho deve responder a desigualdades históricas, e não ser tratada como concessão das empresas.
Evento sobre mulheres com deficiência terá painéis em São Paulo
Mulheres com deficiência estarão no centro de painéis sobre inclusão, liderança e protagonismo. A programação deve reunir especialistas, representantes de órgãos públicos e empresas para discutir estratégias de contratação, permanência e desenvolvimento profissional.
Empresas como Bayer e Coca-Cola Femsa foram citadas na programação de discussões sobre inclusão e sustentabilidade corporativa. Os painéis abordarão como políticas internas podem ampliar acessibilidade, formação e oportunidades de carreira.
O evento também prevê homenagens a pessoas que atuam na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. A programação será realizada no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo, em 24 de julho de 2026.
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