O videogame na reabilitação é usado desde 2014 na unidade Reabilitar I, em São Vicente, no litoral de São Paulo, como apoio à fisioterapia de pacientes com doenças respiratórias, amputações e sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC).
A tecnologia utiliza jogos interativos controlados pelos movimentos do corpo. Segundo a fisioterapeuta Danielle Rodrigues do Valle, que atua na unidade, o recurso ajuda a trabalhar mobilidade, equilíbrio, coordenação, força muscular e controle postural durante as sessões.
“Por meio dos jogos interativos, o paciente realiza movimentos específicos que estimulam equilíbrio, coordenação, força muscular e controle postural. Além de trabalhar a função motora, os jogos estimulam a concentração, atenção e raciocínio”, explicou Danielle.
O método não substitui a fisioterapia convencional. Antes dos jogos, os pacientes fazem exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular, conforme a rotina indicada pela equipe. Dessa forma, o videogame entra como ferramenta complementar, com foco em adesão, movimento e participação ativa.
Como o videogame na reabilitação funciona no Reabilitar I
O videogame na reabilitação é indicado após avaliação médica e autorização da equipe. O paciente precisa ter condicionamento físico mínimo e conseguir permanecer em pé, com ou sem equipamentos auxiliares, para participar das atividades com segurança.
A prática começou em 2014, depois de um estudo em que uma fisioterapeuta aplicou um campeonato de videogame entre pacientes. O projeto recebeu menção honrosa no V Prêmio David Capistrano de Experiências Exitosas na Área da Saúde, em 2015.
Durante a pandemia de Covid-19, a atividade foi interrompida porque profissionais foram redirecionados para áreas emergenciais, como a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Depois, o videogame na reabilitação voltou a integrar as sessões do serviço.
Resultados do videogame na reabilitação em São Vicente
O videogame na reabilitação teve boa resposta entre pacientes acompanhados pela unidade, segundo os relatos da equipe. Os resultados mais citados aparecem em pessoas com condições respiratórias, que passaram a realizar exercícios sem sinais de dispneia, queda de saturação de oxigênio ou dificuldade para respirar durante a atividade.
Entre pacientes amputados, a equipe observa melhora de força e equilíbrio, pontos relevantes para a retomada de atividades cotidianas. A paciente Tereza Souza, de 64 anos, relatou avanços depois de iniciar as sessões com jogos.
“Não conseguia me manter em pé nem levantar o braço direito. Não conseguia pentear o cabelo com a mão direita e agora consigo esticar o braço acima da cabeça, subir escadas e fazer as coisas sozinha. É muito legal e ajuda muito”, afirmou Tereza.
Além disso, Danielle afirma que o formato ajuda pacientes que chegam desmotivados por experiências anteriores com terapias tradicionais. A equipe relata maior engajamento nas sessões e menor resistência à continuidade do tratamento.
O Reabilitar I mantém o videogame na reabilitação como parte complementar do cuidado, sempre condicionado à avaliação profissional e à capacidade física de cada paciente.
Leia também:




