A Válvula Harmony foi implantada pela primeira vez no Brasil na segunda-feira, 13 de julho, no HCor, em São Paulo, em uma paciente de 44 anos com insuficiência pulmonar grave causada por cardiopatia congênita. O procedimento foi feito por cateter, sem cirurgia aberta, e permitiu alta no dia seguinte.
A paciente tinha diagnóstico de tetralogia de Fallot, uma cardiopatia congênita que pode exigir acompanhamento contínuo e novas intervenções ao longo da vida. Antes do implante, ela apresentava fadiga e cansaço durante atividades físicas, sintomas associados à insuficiência pulmonar.
O procedimento foi conduzido pelo cardiologista pediátrico e intervencionista Dr. Carlos Pedra, com apoio de uma equipe médica norte-americana. Segundo o material divulgado, a intervenção durou cerca de 1h30, ocorreu em ambiente controlado e não exigiu transferência prolongada para UTI.
Como a Válvula Harmony foi implantada sem abrir o tórax
Durante a cirurgia, a Válvula Harmony foi levada até a posição pulmonar por meio de um cateter, técnica que evita a abertura do tórax. A proposta é substituir a válvula comprometida com menor agressão ao organismo em comparação com uma cirurgia cardíaca convencional.
“Este procedimento permite que a válvula seja implantada na posição correta e comece a funcionar imediatamente, sem os riscos de uma cirurgia convencional”, afirmou o Dr. Carlos Pedra.
O dispositivo tem estrutura autoexpansível de nitinol e folhetos feitos de pericárdio suíno. Essa composição permite adaptação à anatomia do paciente, ponto considerado relevante para pessoas que passaram por correções cardíacas na infância e apresentam alterações residuais na vida adulta.
Quem pode receber a Válvula Harmony
A Válvula Harmony não é indicada de forma automática para todos os pacientes com cardiopatia congênita. A seleção depende de exames de imagem, avaliação da gravidade da insuficiência pulmonar e análise das condições do coração.
Nesta primeira etapa de uso da tecnologia no país, outros três pacientes foram selecionados para receber o implante. A indicação considera principalmente pessoas com histórico de correção cirúrgica cardíaca e necessidade de nova intervenção na válvula pulmonar.
No caso da tetralogia de Fallot, a correção costuma ocorrer na infância. Com o passar dos anos, parte dos pacientes desenvolve lesões residuais que exigem acompanhamento especializado e, em algumas situações, novo tratamento.
O que a Válvula Harmony muda no atendimento
O procedimento reduziu, neste primeiro caso brasileiro, o tempo de internação e evitou uma nova cirurgia aberta. Após o implante, a paciente não precisou de cuidados intensivos prolongados e recebeu alta no dia seguinte.
O Dr. Carlos Pedra também afirmou que a nova válvula deve melhorar a capacidade da paciente para atividades físicas: “Agora ela poderá se exercitar com mais eficácia, melhorando sua performance cardiovascular, especialmente durante atividades físicas”.
A equipe médica informou que trabalha pela ampliação do acesso à tecnologia, incluindo a possibilidade de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). O material original não informa prazo para essa etapa nem define quando o dispositivo estará disponível na rede pública.
Pacientes com cardiopatia congênita, falta de ar, fadiga ou queda de tolerância ao esforço devem manter acompanhamento com cardiologista. A avaliação para procedimentos por cateter depende de exames específicos e da indicação individual da equipe responsável pelo cuidado.
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