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Mudanças no estilo de vida podem ajudar a prevenir a demência, aponta estudo inédito na América Latina

Prevenir a demência: 4 hábitos que protegem o cérebro
Prevenir a demência: 4 hábitos que protegem o cérebro. Imagem: Pexels
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As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento por profissionais habilitados.

Adotar hábitos saudáveis pode prevenir a demência e ainda melhorar a memória e outras funções do cérebro em idosos. É o que mostra um estudo inédito realizado em 11 países da América Latina, incluindo o Brasil, que identificou benefícios significativos em pessoas que combinaram atividade física, alimentação saudável, estímulo cognitivo e controle dos fatores de risco cardiovascular.

A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet, é a primeira desse porte desenvolvida na região e reforça que mudanças no estilo de vida podem contribuir para preservar a saúde do cérebro durante o envelhecimento.

Programa combinou exercícios, alimentação e estímulos para o cérebro

O estudo acompanhou 1.065 adultos com idades entre 60 e 77 anos que apresentavam alto risco de desenvolver demência. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu apenas orientações gerais sobre saúde, enquanto o outro participou de um programa estruturado durante dois anos.

Esse programa incluía exercícios físicos supervisionados quatro vezes por semana, orientação nutricional adaptada aos hábitos alimentares da América Latina, treinamento cognitivo por computador e acompanhamento para controlar fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes e obesidade.

Ao final da pesquisa, os dois grupos apresentaram melhora na cognição, mas os resultados foram significativamente melhores entre aqueles que participaram do programa completo. Os pesquisadores observaram avanços na memória, na capacidade de planejamento, na tomada de decisões e na velocidade de processamento das informações.

Alimentação foi adaptada à realidade latino-americana

Diferentemente de pesquisas anteriores realizadas na Europa, o estudo não utilizou exatamente a dieta mediterrânea. Os pesquisadores adaptaram as orientações alimentares à realidade dos países latino-americanos, considerando aspectos culturais e econômicos.

Segundo a professora Claudia Kimie Suemoto, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e uma das autoras do estudo, a proposta foi incentivar uma alimentação saudável que pudesse ser aplicada na rotina das pessoas, sem depender de alimentos de difícil acesso.

Especialistas destacam que ações para prevenir a demência deve ser personalizada

Para os especialistas envolvidos no estudo, o sucesso da intervenção está na combinação de diferentes hábitos saudáveis, e não em apenas uma mudança isolada para prevenir a demência.

Além disso, eles destacam que cada pessoa apresenta fatores de risco diferentes. Enquanto algumas precisam controlar hipertensão, diabetes ou obesidade, outras podem se beneficiar de estratégias voltadas para reduzir o isolamento social, tratar a depressão ou melhorar a qualidade do sono.

Os pesquisadores também defendem que a avaliação da memória e da cognição faça parte da rotina de acompanhamento de pessoas com mais de 50 anos, permitindo identificar precocemente possíveis alterações para prevenir a demência.

Brasil enfrenta aumento dos casos de demência

O Brasil participou do estudo com dois centros de pesquisa, localizados na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo os pesquisadores, mais de 80% das pessoas com demência no país ainda não recebem diagnóstico, o que dificulta o acesso ao tratamento, à reabilitação e ao suporte para as famílias.

Outro levantamento citado pelos autores aponta que a prevalência da demência na América Latina e no Caribe aumentou de 10,6% para 16,9% entre os idosos avaliados ao longo dos últimos anos, crescimento atribuído, entre outros fatores, ao envelhecimento acelerado da população, à alta frequência de doenças cardiovasculares e às desigualdades no acesso aos serviços de saúde.

Os autores reforçam que nunca é cedo ou tarde para adotar hábitos saudáveis. Segundo eles, investir em atividade física, alimentação equilibrada, estímulo cognitivo e controle de doenças crônicas pode contribuir para manter o cérebro saudável e reduzir o risco de demência durante o envelhecimento.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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