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Transtornos pós-parto: baby blues, ansiedade e TOC exigem atenção

Transtornos pós-parto
Transtornos pós-parto. Imagem: Sarah Chai/Pexels
🧠 Informação educativa
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento por profissionais habilitados.

O nascimento de um bebê traz mudanças profundas para a vida da mulher. Além das transformações na rotina, o período também envolve alterações hormonais, físicas e emocionais que podem aumentar a vulnerabilidade para transtornos pós-parto.

Entre os problemas mais comuns estão o baby blues, a depressão pós-parto, os transtornos de ansiedade e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Em situações mais graves, pode ocorrer a psicose pós-parto, uma emergência psiquiátrica que exige atendimento imediato.

Segundo a psicóloga Alessandra Araujo, os quadros podem variar bastante em intensidade. O baby blues costuma ser o mais leve e frequente, enquanto a psicose pós-parto é a forma mais grave.

O que causa os transtornos pós-parto?

Os transtornos pós-parto não têm uma única causa. O surgimento dos sintomas pode estar relacionado à combinação de fatores biológicos, emocionais e sociais.

Após o parto, ocorre uma queda importante nos níveis dos hormônios estrogênio e progesterona. Essas mudanças podem interferir no funcionamento dos neurotransmissores do cérebro.

A situação pode ser agravada por outros fatores, como histórico de depressão ou ansiedade, privação de sono, exaustão, falta de apoio, dificuldades financeiras e a pressão para corresponder à imagem de uma maternidade sempre feliz.

“Isso se soma a fatores biológicos, ao histórico de vulnerabilidade emocional ou transtornos mentais prévios, além de fortes estressores psicossociais, como a exaustão extrema pela privação crônica de sono, a falta de uma rede de apoio sólida e o peso das expectativas idealizadas sobre a maternidade”, explica Alessandra.

Quais são os principais transtornos pós-parto?

Os sintomas de transtornos pós-parto podem ser diferentes de uma mulher para outra. Por isso, é importante entender como cada condição costuma se manifestar.

  • Baby blues: provoca tristeza, choro fácil e mudanças de humor leves nos primeiros dias após o parto. Em geral, os sintomas desaparecem sozinhos em até duas semanas.
  • Depressão pós-parto: causa tristeza intensa, desânimo, falta de energia e, em alguns casos, dificuldade de criar vínculo emocional com o bebê. Os sintomas persistem por semanas ou meses e precisam de acompanhamento profissional.
  • Transtorno de ansiedade: pode provocar preocupação constante e excessiva com a saúde e a segurança do bebê. Também podem aparecer taquicardia, tensão muscular e dificuldade para dormir.
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): pode envolver pensamentos indesejados e perturbadores, inclusive relacionados à possibilidade de machucar o bebê. Para tentar aliviar a ansiedade, a mulher pode passar a realizar comportamentos repetitivos, como checar várias vezes se a criança está bem.
  • Transtorno de estresse pós-traumático: pode surgir depois de uma experiência de parto considerada traumática. A mulher pode ter lembranças invasivas, pesadelos e ficar constantemente em estado de alerta.
  • Psicose pós-parto: é uma condição rara e grave, que pode causar perda de contato com a realidade, delírios e alucinações. Nesse caso, é necessário buscar atendimento médico de urgência.

A pressão sobre a maternidade também pesa

A psicóloga Débora Gonçalves, que atua com Terapia Cognitivo-Comportamental, destaca que a adaptação à maternidade pode gerar uma grande sobrecarga emocional e causar transtonros pós-parto.

A expectativa de que a mulher esteja sempre feliz depois do nascimento do bebê também pode dificultar a procura por ajuda. Muitas mães podem sentir culpa por estarem cansadas, angustiadas ou inseguras diante da nova rotina.

Além disso, as responsabilidades com o bebê costumam se somar às tarefas domésticas, às mudanças no relacionamento, às preocupações financeiras e, em alguns casos, à necessidade de voltar ao trabalho.

“É muito difícil separar completamente a identidade de mulher da identidade de mãe, principalmente porque, culturalmente, ainda existe uma expectativa de que a mãe seja a principal responsável pelos cuidados com o bebê”, relata Débora.

Quando o sofrimento precisa de atenção?

Sentir cansaço, insegurança ou tristeza em alguns momentos não significa necessariamente que exista um transtorno mental. O período após o parto envolve mudanças importantes e diferentes emoções podem aparecer.

O sinal de alerta está principalmente na intensidade, na duração dos sintomas e no impacto que eles provocam na rotina.

Quando a mulher deixa de conseguir realizar atividades do dia a dia, passa a ter sofrimento intenso ou percebe que não consegue lidar sozinha com o que está sentindo, é importante procurar ajuda profissional.

A atenção também deve ser maior quando existe histórico de depressão, ansiedade ou outros problemas de saúde mental.

Como prevenir os transtornos pós-parto?

Não é possível evitar completamente o surgimento de transtornos pós-parto, mas algumas medidas podem reduzir fatores de risco e facilitar a identificação dos primeiros sinais.

O acompanhamento da saúde mental deve começar ainda durante a gestação, especialmente entre mulheres que já tiveram depressão, ansiedade ou outras dificuldades emocionais.

Depois do nascimento, manter consultas, observar mudanças de comportamento e contar com pessoas de confiança para dividir responsabilidades também pode ajudar.

Ter uma rede de apoio é especialmente importante. Familiares e amigos podem colaborar com os cuidados do bebê, tarefas domésticas e outras atividades, permitindo que a mãe tenha tempo para descansar.

Como é feito o tratamento?

Quando um transtorno mental se instala, o tratamento depende da condição e da intensidade dos sintomas.

A psicoterapia pode ajudar a mulher a lidar com as mudanças da maternidade, a ansiedade, os pensamentos recorrentes e outras dificuldades emocionais. Em alguns casos, o psiquiatra também pode indicar medicamentos, avaliando individualmente a necessidade e a segurança do tratamento.

Segundo Alessandra, o cuidado deve ser multidisciplinar e considerar tanto a saúde mental quanto as condições físicas e sociais da mulher.

Buscar ajuda não significa que a mãe esteja falhando. Reconhecer o sofrimento e procurar atendimento pode evitar que os sintomas se agravem e contribuir para a saúde e a segurança da mulher e do bebê.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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