O exercício para pacientes com câncer pode ajudar a preservar a massa muscular, a saúde dos ossos e a capacidade cardiorrespiratória antes, durante e depois do tratamento. A atividade física também pode contribuir para reduzir a fadiga e melhorar a qualidade de vida, mas precisa ser adaptada às condições de cada pessoa.
O tema foi discutido durante o 13º Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio 2026), em uma palestra do professor Daniel Galvão, da Universidade Edith Cowan, na Austrália. Segundo o especialista, o exercício pode preparar o paciente para procedimentos, auxiliar na recuperação e fazer parte da reabilitação.
A indicação do exercício para pacientes com câncer deve ser individualizada, considerando o tipo de tumor, o tratamento realizado, o estado de saúde e a capacidade física de cada pessoa.
Exercício para pacientes com câncer pode ajudar na recuperação
De acordo com Daniel Galvão, manter a capacidade física durante o tratamento pode facilitar a realização das atividades do dia a dia e preparar melhor o organismo para procedimentos como cirurgias.
A prática de exercício para pacientes com câncer também pode contribuir para a recuperação após o tratamento. Entre os possíveis benefícios estão a redução da fadiga e a melhora da qualidade de vida, além de efeitos positivos sobre sintomas de ansiedade, depressão e estresse.
O especialista citou como exemplo pessoas com câncer de próstata submetidas à Terapia de Privação Androgênica, tratamento que reduz a ação da testosterona. A terapia pode provocar perda de massa muscular e aumento da gordura corporal, alterações que podem comprometer a capacidade funcional.
Nesse contexto, o exercício para pacientes com câncer pode ajudar a preservar a massa muscular, a integridade dos ossos e a função do coração e dos pulmões.
Como o exercício pode beneficiar pacientes com câncer?
A prática de exercício para pacientes com câncer adequada pode atuar em diferentes aspectos da saúde durante o tratamento. Entre os benefícios apontados pelos especialistas estão:
- Preservação da massa muscular;
- Manutenção da saúde óssea;
- Melhora da capacidade cardiorrespiratória;
- Redução da fadiga;
- Melhora da capacidade para realizar atividades do dia a dia;
- Auxílio na recuperação após procedimentos;
- Contribuição para a qualidade de vida;
- Possível redução de sintomas de ansiedade, depressão e estresse.
Os benefícios, no entanto, não significam que todos os pacientes devam realizar o mesmo tipo de exercício. A atividade precisa ser adequada à situação clínica de cada pessoa.
Exercício deve ser adaptado ao tratamento
A relação do exercício para pacientes com câncer mudou à medida que pesquisas passaram a demonstrar os possíveis benefícios dos exercícios para esses pacientes.
No passado, havia maior receio em relação à prática de atividades físicas após o diagnóstico de câncer. Estudos realizados nas últimas décadas contribuíram para ampliar o conhecimento sobre o assunto e para a inclusão do exercício nos cuidados de muitos pacientes.
Ainda assim, o exercício para pacientes com câncer não deve ser iniciado ou intensificado sem avaliação adequada. A intensidade, a frequência e o tipo de atividade precisam considerar o quadro clínico e o tratamento realizado.
Suplementos não substituem uma alimentação equilibrada
Além do exercício, o uso de suplementos alimentares foi discutido durante o congresso. Especialistas alertaram para os riscos do consumo indiscriminado, especialmente entre pessoas mais velhas.
O hepatologista João Marcello de Araújo Neto destacou possíveis problemas relacionados ao excesso de determinados nutrientes. Doses elevadas de vitamina A, por exemplo, podem causar toxicidade no fígado. O excesso de vitamina D pode aumentar a concentração de cálcio no sangue e favorecer a formação de cálculos renais.
A vitamina B6 em doses elevadas também foi associada a maior risco de fraturas de quadril. Já a vitamina C apresenta possível associação com a formação de pedras nos rins em homens.
Os esteroides anabolizantes também foram citados como motivo de preocupação. O uso dessas substâncias pode aumentar a pressão arterial e os níveis de LDL, conhecido como colesterol ruim, além de estar associado a alterações hormonais e danos ao fígado.
Alimentação continua sendo importante durante o tratamento
A nutricionista Wilza Peres, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que suplementos não devem ser utilizados automaticamente para garantir uma alimentação saudável.
Antes de iniciar o consumo, é necessário avaliar qual problema o produto pretende tratar ou prevenir e se existem evidências de que ele realmente ofereça esse benefício.
Multivitamínicos podem ter indicação em situações específicas, como dietas muito restritas, insegurança alimentar ou dificuldades para mastigar. Fora desses contextos, a suplementação não deve ser considerada necessária para todas as pessoas.
Uma alimentação variada fornece diferentes nutrientes em conjunto, enquanto um suplemento concentra determinadas substâncias. Segundo a especialista, padrões alimentares como a dieta mediterrânea estão associados a benefícios para a saúde e podem contribuir para reduzir o risco de fragilidade em pessoas mais velhas.
O exercício para pacientes com câncer pode fazer parte dos cuidados antes, durante e depois do tratamento, mas a atividade deve ser planejada de acordo com as condições de cada pessoa e com orientação da equipe de saúde.
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