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Advogado autista emociona o STF ao defender direitos de pessoas com deficiência

Representando o Movimento Orgulho Autista Brasil, Luiz Vilar de Araújo Neto fez uma sustentação oral durante julgamento sobre restrições à isenção tributária para pessoas com deficiência.
Advogado autista Luiz Vilar de Araújo Neto durante sustentação oral no STF em julgamento sobre direitos das pessoas com deficiência.
Imagem ilustrativa representa advogado durante sustentação oral no STF em julgamento sobre isenção tributária para pessoas com deficiência.

O advogado autista  Luiz Vilar de Araújo Neto protagonizou um dos momentos mais marcantes da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na quinta-feira (25).

Representando o Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB) como amicus curiae, ele participou das sustentações orais nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7.779 e 7.790, que discutem dispositivos da reforma tributária relacionados à isenção de impostos na compra de veículos por pessoas com deficiência.

Durante sua manifestação, o advogado afirmou: “Eu sei como é ser uma voz que sequer é ouvida”, destacando as dificuldades enfrentadas por pessoas autistas no acesso a direitos e serviços públicos.

As ações questionam trechos da Lei Complementar 214/2025, que estabeleceu critérios para concessão da alíquota zero de IBS e CBS na aquisição de veículos por pessoas com deficiência. As entidades autoras sustentam que as regras excluem parte das pessoas autistas, especialmente aquelas classificadas no nível 1 de suporte, além de impor restrições consideradas incompatíveis com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que possui status constitucional no Brasil.

Sustentação destacou a realidade das pessoas autistas

Durante a sustentação, Luiz Vilar afirmou que não pretendia concentrar seu tempo apenas em argumentos técnicos. Segundo ele, havia a necessidade de apresentar ao Supremo a realidade vivida por milhares de pessoas autistas.

O advogado relatou que preferia não expor aspectos pessoais de sua trajetória, mas considerou necessário compartilhar sua experiência para ilustrar como barreiras sociais e institucionais ainda dificultam o exercício pleno de direitos por pessoas no espectro autista. Também destacou que classificações como níveis 1, 2 e 3 de suporte devem servir para orientar políticas de apoio e não para restringir direitos previstos em lei.

Julgamento discute critérios da reforma tributária

As ADIs 7.779 e 7.790 foram propostas pelo Instituto Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência Oceano Azul e pela Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência (ANAPcD).

As entidades argumentam que a legislação criou restrições que excluem pessoas com deficiência consideradas de menor grau de comprometimento, incluindo autistas classificados no nível 1 de suporte. Para os autores das ações, essa diferenciação viola princípios constitucionais como igualdade, dignidade da pessoa humana e não discriminação.

Durante a sessão também se manifestaram representantes da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Defensoria Pública da União (DPU), que apresentaram posições divergentes sobre a constitucionalidade das novas regras.

Representatividade marcou a sessão

Além dos argumentos jurídicos, a participação de Luiz Vilar chamou atenção pela representatividade.

Em sua fala, o advogado citou experiências pessoais relacionadas ao autismo e defendeu que a inclusão deve considerar as barreiras enfrentadas pelas pessoas no cotidiano, e não apenas classificações clínicas. Também fez referência à ministra Cármen Lúcia como inspiração em sua trajetória profissional, ao recordar reflexões sobre dignidade humana que, segundo ele, influenciaram sua atuação na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

A manifestação repercutiu entre entidades ligadas à inclusão e foi destacada por veículos especializados na cobertura do Judiciário e dos direitos das pessoas com deficiência.

Julgamento terá continuidade

A sessão do Supremo foi dedicada às sustentações orais das partes e dos amici curiae. Após as manifestações, o presidente da Corte informou que o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, e a análise dos demais ministros ocorrerão em sessão posterior, em data ainda a ser definida.

A decisão poderá definir a interpretação constitucional sobre os critérios adotados pela reforma tributária para concessão de benefícios fiscais destinados às pessoas com deficiência, tema que envolve diretamente políticas de inclusão, mobilidade e igualdade de direitos.

 

FAQ

Quem é Luiz Vilar de Araújo Neto?

Luiz Vilar de Araújo Neto é advogado, autista e representante do Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB). Ele participou como amicus curiae de julgamento no STF sobre direitos das pessoas com deficiência.


Qual foi o tema do julgamento no STF?

O Supremo analisou as ADIs 7.779 e 7.790, que questionam dispositivos da Lei Complementar 214/2025 relacionados à isenção tributária para compra de veículos por pessoas com deficiência.


O que disse o advogado durante a sustentação?

Durante sua manifestação, Luiz Vilar afirmou que conhece a realidade de ser “uma voz que sequer é ouvida”, defendendo maior inclusão e igualdade de direitos para pessoas autistas.


O que é um amicus curiae?

É uma entidade ou pessoa autorizada pelo Judiciário a participar de um processo para oferecer informações técnicas ou representar interesses relevantes para o julgamento, sem ser parte da ação.


O julgamento já foi concluído?

Não. A sessão foi destinada às sustentações orais. O voto do relator e a análise dos ministros ocorrerão em sessão posterior.

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