Home / Neuro / Autismo: médica lista estratégias para melhorar atendimento oftalmológico de crianças
Campanha de conscientização sobre o autismo — SERTEP Notícias

Autismo: médica lista estratégias para melhorar atendimento oftalmológico de crianças

Autismo: estratégias para facilitar consulta oftalmológica
Autismo: estratégias para facilitar consulta oftalmológica. Imagem: Paula Laboissière/Agência Brasil
🧠 Informação educativa
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento por profissionais habilitados.

O autismo pode trazer desafios específicos durante consultas oftalmológicas, principalmente quando o ambiente e a forma de conduzir o atendimento não estão adaptados às necessidades da criança. Hipersensibilidade a sons, luzes e toques, dificuldade diante de mudanças na rotina e resistência ao uso de óculos ou tampão estão entre as situações que podem dificultar os exames.

A oftalmologista Raíra Fortuna afirma que cerca de 40% das crianças com transtorno do espectro autista (TEA) apresentam transtornos de ansiedade associados. Ao mesmo tempo, menos de 4% dos médicos especialistas relatam ter recebido algum tipo de capacitação para atender pacientes no espectro.

Segundo a médica, comportamentos que costumam ser interpretados como desobediência ou “mau comportamento” podem, na verdade, ser uma reação à confusão ou à sobrecarga causada pelo ambiente.

“É a manifestação do autismo em um ambiente pouco adaptado”, afirma.

Quando isso acontece, o exame pode ficar mais difícil ou até não ser concluído. O problema merece atenção porque o acompanhamento oftalmológico é importante para identificar e tratar alterações na visão.

Estudos citados durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia apontam que o estrabismo pode atingir cerca de 41% das crianças com TEA, em comparação com aproximadamente 3% entre crianças com desenvolvimento típico.

Como preparar o atendimento de crianças com autismo

Durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador de 9 a 12 de setembro, Raíra apresentou estratégias para tornar a consulta mais previsível e reduzir situações de sobrecarga.

A preparação começa antes mesmo de a criança chegar ao consultório. Segundo a especialista, algumas medidas podem facilitar esse processo:

  • Agendamento: escolher um horário em que a criança possa esperar menos e o ambiente esteja mais tranquilo.
  • Questionário antes da consulta: buscar informações com os responsáveis sobre a forma de comunicação da criança, sensibilidades, interesses e situações que podem causar desconforto.
  • Antecipação: enviar vídeos ou imagens curtas mostrando o consultório e os equipamentos que serão utilizados pode ajudar a criança a saber o que encontrará no local.

Ambiente adaptado pode reduzir a sobrecarga

Durante a consulta, pequenas mudanças podem fazer diferença para crianças com autismo. A orientação é reduzir estímulos desnecessários e respeitar as características individuais de cada paciente.

Entre as estratégias estão oferecer uma sala de espera mais tranquila ou permitir que a criança aguarde fora dela, diminuir ruídos e possibilitar o uso de fones de ouvido.

Também pode ser útil reduzir a intensidade das luzes, evitar iluminação fluorescente e permitir que a criança leve um objeto familiar ou brinquedo que ajude a deixá-la mais confortável.

O objetivo não é criar um atendimento completamente diferente, mas diminuir estímulos que possam dificultar a realização do exame.

Comunicação deve ser clara e previsível

A forma de falar com a criança também pode facilitar o atendimento. A recomendação é usar frases curtas e objetivas, explicar previamente o que será feito e mostrar os equipamentos antes de utilizá-los.

A criança também precisa de tempo para processar as informações. Sempre que possível, podem ser oferecidas pequenas escolhas, como decidir qual olho será examinado primeiro.

Outra estratégia é fazer pausas entre os procedimentos e avisar antes de tocar na criança, evitando contato físico inesperado.

A médica também recomenda começar pelos exames que exigem maior concentração enquanto a criança ainda está mais disponível para colaborar.

“Quando o exame não funciona, talvez o problema esteja nas formas como estamos examinando”, avalia Raíra.

Toda a equipe precisa estar preparada

Para a especialista, a adaptação não deve depender apenas do oftalmologista. Recepcionistas, enfermeiros e outros profissionais envolvidos no atendimento também precisam saber como lidar com as necessidades de pacientes com autismo.

Essa preparação pode reduzir situações de estresse, facilitar a realização dos exames e melhorar a experiência da criança e da família.

O atendimento adaptado é especialmente importante porque algumas alterações oculares podem ser mais frequentes em crianças com TEA. Por isso, encontrar maneiras de realizar os exames de forma mais confortável pode contribuir para que o acompanhamento da saúde dos olhos não seja interrompido.

Com informações da Agência Brasil. A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Veja também:

Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

Tags

Compartilhe

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Print