O diagnóstico de autismo e TDAH em adultos é cada vez mais frequente — e mostra que os dois transtornos costumam coexistir. Durante muito tempo, o transtorno do espectro autista (TEA) e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) foram tratados como condições separadas. Hoje, cresce o reconhecimento de que os dois transtornos frequentemente coexistem — especialmente em adultos —, o que exige uma avaliação clínica mais ampla e individualizada. É o que defende o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no atendimento de adultos com essas condições.
Autismo e TDAH em adultos: por que aparecem juntos
Pesquisas recentes reforçam a coexistência entre TEA e TDAH. Uma revisão científica de 2021, publicada na revista Research in Autism Spectrum Disorders, reuniu dezenas de estudos e apontou que uma parcela expressiva das pessoas com TEA também apresenta TDAH — proporção que varia conforme a faixa etária e os instrumentos usados na avaliação. Para o Dr. Trilico, esses achados pedem uma reavaliação das práticas clínicas: muitas pessoas apresentam características de ambos os transtornos, o que demanda uma análise detalhada do histórico e dos sintomas manifestados ao longo da vida.
O que mudou com o DSM-5
Até a publicação do DSM-5, em 2013, um mesmo paciente não podia receber oficialmente os diagnósticos simultâneos de TEA e TDAH. A atualização do manual passou a reconhecer a coexistência dos dois transtornos, ampliando as abordagens clínicas e a compreensão de que fatores variados influenciam os sintomas e a qualidade de vida. Segundo Dr. Trilico, essa mudança não só transformou a forma de examinar os casos, como abriu caminho para enxergar cada pessoa de maneira mais integrada.
Por que o diagnóstico em adultos é mais difícil
Em adultos, os sinais costumam ser menos evidentes: muitas pessoas desenvolveram, ao longo da vida, estratégias para mascarar as dificuldades, o que pode atrasar o diagnóstico. Tarefas de organização e planejamento da rotina, por exemplo, podem exigir um esforço significativo que passa despercebido por quem está de fora. Por isso, a avaliação deve considerar a individualidade de cada paciente, e não apenas um conjunto de sintomas isolados. Pesquisas na área também associam sintomas mais intensos de TDAH em adultos autistas a uma percepção mais negativa da qualidade de vida e da autonomia no dia a dia.
Como é o tratamento
O tratamento proposto pelo Dr. Trilico é individualizado e pode reunir diferentes abordagens. O acompanhamento multiprofissional se mostra essencial, assim como a psicoterapia, o treino para organização da rotina e, quando necessário, o uso de medicamentos. Mais do que tratar sintomas isoladamente, o objetivo é compreender a trajetória de vida do paciente e orientar intervenções que melhorem seu bem-estar e sua autonomia.
Uma questão que vai além do consultório
Reconhecer a coexistência entre TEA e TDAH não é só uma questão clínica: é também uma pauta de inclusão. Escolas, ambientes de trabalho e a sociedade como um todo precisam estar preparados para acolher essas nuances. Com o avanço das pesquisas e o olhar de especialistas como o Dr. Matheus Trilico, cresce a expectativa de que a compreensão e a aceitação dessas condições evoluam, permitindo que mais pessoas encontrem caminhos para o bem-estar e a integração social.
Você recebeu um diagnóstico de autismo ou TDAH já na vida adulta? Compartilhe sua experiência — relatos ajudam outras pessoas a reconhecerem os sinais e a buscarem avaliação.
Com informações do neurologista Dr. Matheus Trilico e de literatura científica sobre a coexistência de TEA e TDAH. Conteúdo de caráter informativo; não substitui avaliação de um profissional de saúde habilitado.








