A crise de ansiedade pode surgir de forma intensa e causar sintomas físicos e emocionais que assustam. Coração acelerado, falta de ar, tremores, tontura, náusea, dor no peito e sensação de que algo ruim vai acontecer estão entre as manifestações possíveis. Embora uma crise de ansiedade seja, em geral, passageira, alguns sintomas podem ser parecidos com os de problemas de saúde que precisam de atendimento imediato.
A ansiedade é uma resposta normal do organismo diante de situações de ameaça, preocupação ou estresse. O problema aparece quando ela se torna intensa, frequente ou passa a atrapalhar a rotina. Nesse contexto, entender o que caracteriza uma crise de ansiedade ajuda a reconhecer os sinais e saber quando procurar ajuda.
Como identificar uma crise de ansiedade?
Uma crise de ansiedade é um episódio de ansiedade intensa que pode provocar uma resposta física importante. O corpo entra em estado de alerta e libera substâncias que aumentam os batimentos cardíacos, aceleram a respiração e deixam os músculos mais tensos.
Os sintomas podem começar rapidamente e atingir um pico de intensidade em poucos minutos. Depois, tendem a diminuir gradualmente.
Os sinais mais comuns de uma crise de ansiedade incluem:
- Coração acelerado ou palpitações;
- Falta de ar ou sensação de sufocamento;
- Tremores;
- Suor excessivo;
- Tontura;
- Náusea;
- Formigamento;
- Tensão muscular;
- Calafrios ou ondas de calor;
- Dor ou pressão no peito;
- Medo intenso de morrer ou perder o controle;
- Sensação de estar desconectado de si mesmo ou da realidade.
Nem todo mundo apresenta todos esses sintomas. A intensidade também pode variar de uma crise de ansiedade para outra.
Crise de ansiedade dá dor de barriga?
Sim. A crise de ansiedade pode afetar diretamente o sistema digestivo e provocar dor de barriga, náusea, cólicas, indigestão e até diarreia. Esses sintomas podem aparecer durante uma crise de ansiedade ou em períodos de ansiedade persistente.
Isso acontece porque o organismo, quando entra em estado de alerta, altera temporariamente várias funções do corpo. O sistema digestivo também sofre essa influência.
Por isso, alguém que passa por uma crise de ansiedade pode sentir o estômago embrulhado ou uma vontade repentina de ir ao banheiro.
Apesar disso, dor abdominal recorrente não deve ser atribuída automaticamente à ansiedade. Problemas gastrointestinais e outras condições de saúde também podem causar sintomas semelhantes.
Crise de ansiedade dá coceira no corpo?
A crise de ansiedade pode estar acompanhada de coceira, embora esse não esteja entre os sinais mais conhecidos do problema. O Ministério da Saúde (MS) inclui a coceira entre as possíveis manifestações sensoriais associadas à ansiedade.
O estresse e a ansiedade também podem piorar uma coceira que já existe. Por isso, uma pessoa pode perceber aumento da coceira em momentos de maior tensão.
Mas coceira espalhada pelo corpo, persistente ou acompanhada de manchas, inchaço ou dificuldade para respirar precisa ser investigada. Nesses casos, alergias, problemas dermatológicos, efeitos de medicamentos e outras condições podem estar envolvidos.
Ou seja, crise de ansiedade dá coceira no corpo em algumas pessoas, mas a presença de coceira sozinha não indica que o problema seja ansiedade.
É possível ter crise de ansiedade dormindo?
Sim, mas existe uma diferença importante. Algumas pessoas têm ataques de pânico noturnos, que são episódios súbitos de medo intenso que fazem a pessoa acordar assustada durante o sono.
Nesses casos, a pessoa pode despertar com coração acelerado, suor, falta de ar, dor no peito, tremores ou sensação de que está morrendo. Os episódios podem ocorrer sem um gatilho claro.
Isso não é exatamente o mesmo que permanecer dormindo e ter uma crise de ansiedade completa sem acordar. No ataque noturno, a pessoa geralmente desperta e percebe os sintomas.
Também é importante diferenciar esse quadro dos terrores noturnos, que são mais comuns em crianças e acontecem de outra maneira.
Como lidar com a crise de ansiedade no momento?
Durante uma crise de ansiedade, tentar controlar todos os sintomas de uma vez pode aumentar a preocupação. Algumas medidas simples podem ajudar o organismo a diminuir o estado de alerta.
A primeira é reduzir o ritmo da respiração. Inspire lentamente pelo nariz e expire de forma prolongada, tentando evitar respirações muito rápidas. O Ministério da Saúde recomenda controlar a frequência respiratória para reduzir a hiperventilação, enquanto o Hospital Israelita Albert Einstein também orienta técnicas de respiração lenta.
Também pode ajudar:
- Ir para um ambiente mais tranquilo: diminuir barulho, excesso de pessoas e outros estímulos pode facilitar o controle da crise.
- Trazer a atenção para o presente: observar objetos ao redor, prestar atenção aos sons ou tocar em algo pode ajudar a tirar o foco da sensação de perigo.
- Relaxar o corpo: reduzir conscientemente a tensão dos ombros, braços, mãos e pernas pode aliviar parte do desconforto.
- Conversar com alguém: estar perto de uma pessoa de confiança e receber uma abordagem calma pode ajudar durante o episódio.
Em uma crise de ansiedade, também é importante lembrar que a intensidade costuma diminuir com o passar do tempo. Isso não substitui avaliação médica quando os sintomas são novos, muito fortes ou diferentes do habitual.
Crise de ansiedade pode matar?
Uma crise de ansiedade isolada geralmente não é considerada uma situação fatal. O problema é que seus sintomas podem ser muito intensos e se parecer com os de doenças cardiovasculares e outras emergências.
Dor ou pressão no peito, falta de ar, desmaio e palpitações, por exemplo, também podem aparecer em problemas cardíacos. Por isso, principalmente quando é a primeira vez que esses sintomas acontecem, não é seguro assumir que tudo seja ansiedade sem avaliação.
O Ministério da Saúde destaca que algumas doenças clínicas podem provocar manifestações semelhantes às de uma crise de pânico e devem ser descartadas durante a avaliação.
Procure atendimento de emergência diante de sintomas intensos ou de sinais que indiquem risco à vida. Em situações de emergência no Brasil, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.
É perigoso ter crise de ansiedade na gravidez?
A crise de ansiedade na gravidez merece atenção, mas uma crise isolada não significa automaticamente que exista perigo para a gestante ou para o bebê.
A ansiedade pode começar durante a gestação mesmo em mulheres que nunca tiveram o problema antes. Quando os sintomas são intensos, frequentes ou interferem na vida cotidiana, é importante conversar com o obstetra ou outro profissional de saúde.
A ansiedade não tratada pode dificultar o sono, o autocuidado, a alimentação e o acompanhamento pré-natal. A ACOG, entidade norte-americana de obstetrícia e ginecologia, destaca que tratar os transtornos de ansiedade durante a gestação pode beneficiar a saúde da mãe e da gravidez.
Por isso, gestantes que apresentam crise de ansiedade repetidamente não devem tentar lidar com o problema sozinhas. O tratamento pode incluir psicoterapia e, quando necessário, medicamentos avaliados pelo médico de acordo com a situação individual.
Crise de ansiedade em criança: o que fazer?
Crianças também podem apresentar ansiedade intensa, embora nem sempre consigam explicar o que estão sentindo. Em vez de dizer que estão ansiosas, elas podem reclamar de dor de barriga, sentir o coração acelerar, tremer, suar ou parecer muito agitadas.
Durante uma crise de ansiedade em criança, o adulto deve manter a voz calma e levar a criança para um local com menos estímulos. Ajudá-la a respirar mais devagar e conversar de forma simples pode facilitar a recuperação.
Frases que diminuem o sofrimento, como “isso é bobagem” ou “você não tem motivo para estar assim”, não costumam ajudar. O mais indicado é reconhecer que a criança está assustada e mostrar que existe um adulto por perto para ajudá-la.
Se a ansiedade passa a interferir na escola, no sono, nas relações ou nas atividades do dia a dia, é importante procurar avaliação com o pediatra ou profissional de saúde mental.
Qual a diferença entre crise de ansiedade e ataque de pânico?
Os termos são parecidos, mas não são necessariamente sinônimos.
A crise de ansiedade costuma estar relacionada a uma preocupação, situação de estresse ou sensação de ameaça. Já um ataque de pânico é caracterizado por uma onda súbita e intensa de medo ou desconforto que pode aparecer mesmo sem um gatilho claramente identificado.
Os sintomas podem ser muito semelhantes nos dois casos. A diferença está principalmente no contexto, na intensidade, na forma como os episódios aparecem e na frequência.
Por isso, não é recomendável tentar definir sozinho se determinado episódio foi uma crise de ansiedade, um ataque de pânico ou outro problema de saúde.
Quando procurar ajuda para crises de ansiedade?
Uma crise de ansiedade ocasional pode acontecer em situações de estresse. Quando os episódios começam a se repetir, ficar mais intensos ou atrapalhar a rotina, é hora de procurar avaliação profissional.
Também vale buscar ajuda quando a pessoa passa a evitar lugares ou atividades por medo de ter uma nova crise, quando o sono é prejudicado ou quando a ansiedade interfere no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.
O tratamento depende da causa e das características de cada caso. A psicoterapia é uma das principais formas de cuidado. Em algumas situações, o psiquiatra pode indicar medicamentos.
Não é recomendado iniciar ou interromper remédios por conta própria.
Como prevenir novas crises de ansiedade?
Não existe uma medida capaz de impedir todas as crises, mas algumas atitudes podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade dos episódios.
Sono adequado, atividade física regular, redução do consumo excessivo de cafeína, identificação de situações que costumam desencadear ansiedade e acompanhamento profissional fazem parte dos cuidados.
Também pode ser útil anotar quando os episódios acontecem, o que estava acontecendo antes da crise de ansiedade, quais sintomas apareceram e o que ajudou a controlá-los. Esse registro pode facilitar a identificação de padrões durante a avaliação profissional.
Reconhecer os sintomas é importante, mas não deve servir para autodiagnóstico. Uma crise de ansiedade pode produzir manifestações físicas bastante fortes, e algumas delas se confundem com problemas de saúde que precisam de investigação.
Quando os episódios são recorrentes ou começam a limitar a vida, procurar ajuda é a forma mais segura de entender a causa e encontrar o tratamento adequado.
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