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Cientistas descobrem que uso de antibiótico pode afetar o intestino por até 8 anos

Antibiótico pode afetar o intestino por até 8 anos
Antibiótico pode afetar o intestino por até 8 anos. Imagem: Kaboompics/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

Um estudo com quase 15 mil adultos encontrou alterações no microbioma intestinal associadas ao uso de antibiótico que ainda podiam ser identificadas anos depois do tratamento. Os efeitos foram observados até oito anos após o uso de alguns medicamentos, principalmente clindamicina, fluoroquinolonas e flucloxacilina.

A pesquisa foi realizada por cientistas na Suécia e publicada em março de 2026 na revista Nature Medicine. Os pesquisadores cruzaram informações sobre prescrições de antibióticos com análises do material genético das bactérias presentes nas fezes dos participantes.

Os resultados não significam que o antibiótico provoque doenças anos depois. O estudo avaliou associações entre o uso dos medicamentos e a composição do microbioma, mas não estabeleceu uma relação de causa e efeito com problemas de saúde.

Antibiótico pode alterar o microbioma por vários anos

O microbioma intestinal é formado por milhares de microrganismos que vivem no intestino. Eles participam de diferentes funções do organismo e podem ser afetados pelos medicamentos usados para combater infecções.

No estudo, o impacto foi maior entre as pessoas que haviam usado antibiótico no ano anterior à coleta das amostras. Mesmo assim, os pesquisadores encontraram diferenças na diversidade e na quantidade de algumas espécies de bactérias entre pessoas que haviam tomado determinados antibióticos de um a quatro anos antes e também entre quatro e oito anos antes.

A recuperação do microbioma ocorreu mais rapidamente nos primeiros dois anos após o tratamento. Depois desse período, o ritmo de recuperação diminuiu, segundo o modelo utilizado pelos pesquisadores.

Quais antibióticos causaram as maiores alterações?

Entre os medicamentos analisados, três grupos apresentaram as associações mais fortes com mudanças na composição do microbioma: clindamicina, fluoroquinolonas e flucloxacilina.

No caso da clindamicina, cada tratamento realizado no ano anterior à análise esteve associado, em média, à detecção de 47 espécies bacterianas a menos. Para as fluoroquinolonas e a flucloxacilina, a redução média foi de 20 e 21 espécies, respectivamente.

Entre quatro e oito anos após o uso desses medicamentos, alterações na quantidade de cerca de 10% a 15% das espécies analisadas ainda estavam associadas ao tratamento.

Por outro lado, os pesquisadores não encontraram associação detectável com a diversidade do microbioma para penicilinas de espectro ampliado, como amoxicilina e pivmecilina, nem para a combinação de amoxicilina com ácido clavulânico na análise principal.

Até um único tratamento deixou marcas

Os cientistas também fizeram uma análise específica com 7.664 participantes: 3.356 haviam usado apenas um ciclo de antibiótico nos oito anos anteriores, enquanto 4.308 não haviam usado nenhum nesse período.

Mesmo nesse grupo, um único tratamento com tetraciclinas, flucloxacilina, fluoroquinolonas, clindamicina, sulfametoxazol-trimetoprim, cefalosporinas ou macrolídeos esteve associado a uma menor diversidade de espécies no intestino. O resultado também apareceu entre pessoas que haviam tomado o medicamento quatro a oito anos antes.

Isso mostra que as alterações não foram observadas apenas em pessoas que fizeram vários tratamentos ao longo dos anos.

O que essas alterações significam para a saúde?

O microbioma tem relação com diferentes funções do organismo, mas o estudo não permite afirmar que as mudanças encontradas sejam responsáveis diretamente por doenças.

Os autores observaram que algumas das alterações relacionadas à clindamicina, às fluoroquinolonas e à flucloxacilina envolviam espécies que, em outras pesquisas, já foram associadas a marcadores metabólicos e cardiovasculares. Essas relações, porém, também não comprovam que o uso do antibiótico tenha causado esses problemas.

Os pesquisadores destacam ainda que diferenças na dose, na duração do tratamento e nas características individuais podem influenciar a resposta do microbioma. Como o estudo foi observacional, há limitações que impedem determinar exatamente o efeito de cada tratamento em cada pessoa.

Isso significa que o antibiótico deve ser evitado?

Não. Antibióticos continuam sendo importantes para tratar infecções bacterianas e, quando indicados corretamente, podem ser fundamentais para evitar complicações.

A principal mensagem do estudo é a importância do uso responsável desses medicamentos. O trabalho reforça que diferentes antibióticos podem ter impactos diferentes sobre o microbioma e que algumas dessas alterações podem permanecer por anos.

Por isso, o medicamento não deve ser usado sem indicação médica nem interrompido antes do tempo recomendado. Também não é adequado escolher um antibiótico por conta própria com a intenção de causar menos impacto no intestino.

A pesquisa amplia o conhecimento sobre os efeitos de longo prazo desses medicamentos, mas ainda são necessários novos estudos para entender quais alterações são temporárias, quais permanecem e quais consequências, se houver, elas podem trazer para a saúde.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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