O diagnóstico de câncer de intestino pode acontecer durante exames de rotina, mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas. Foi o que aconteceu com o ator Lúcio Mauro Filho, que contou ter descoberto a doença durante um check-up realizado após um tratamento para complicações pós-Covid.
O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, atinge principalmente o cólon e o reto. Nas fases iniciais, pode não provocar sinais claros, o que torna o acompanhamento médico e o rastreamento importantes, principalmente para pessoas que estão na faixa etária indicada.
No Brasil, o cenário também ganhou uma nova estratégia em 2026: o Ministério da Saúde adotou o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência para o rastreamento de homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas.
Quais são os sinais de câncer de intestino?
Embora possa permanecer silencioso no começo, o câncer colorretal pode provocar alterações que merecem investigação médica.
Entre os principais sinais estão:
- sangue nas fezes;
- sangramento pelo reto;
- mudança persistente no funcionamento do intestino;
- diarreia ou prisão de ventre que não melhoram;
- alteração no formato das fezes;
- dor ou cólicas abdominais persistentes;
- perda de peso sem explicação;
- anemia sem causa identificada.
A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer, já que eles também podem ocorrer em outras doenças. Mesmo assim, alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Um dos problemas é que sinais como sangue nas fezes ou mudanças no hábito intestinal podem ser atribuídos a condições consideradas simples, o que pode atrasar a investigação.
Câncer de intestino pode aparecer sem sintomas
Um dos motivos para o rastreamento ser importante é justamente a possibilidade de encontrar alterações antes que apareçam sintomas.
O novo protocolo do SUS é voltado para pessoas de 50 a 75 anos que não apresentam sinais da doença. O FIT procura pequenas quantidades de sangue nas fezes que não são visíveis a olho nu e que podem estar relacionadas a pólipos, lesões precursoras ou tumores.
Segundo o Ministério da Saúde, o exame apresenta sensibilidade estimada entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
Como funciona o exame de câncer de intestino oferecido pelo SUS?
O Teste Imunoquímico Fecal (FIT) é um exame feito a partir de uma amostra de fezes.
O teste utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano e pode ser realizado pelo próprio paciente com um kit de coleta, sem a necessidade de preparo intestinal ou dieta restritiva antes do procedimento. Depois, a amostra é encaminhada para análise.
O resultado positivo não significa que a pessoa tenha câncer de intestino. Nesse caso, é necessária uma investigação complementar, que pode incluir colonoscopia.
Já quem apresenta sintomas deve procurar avaliação médica, independentemente da idade, porque o rastreamento de pessoas sem sintomas é diferente da investigação de quem já apresenta sinais suspeitos.
Quem deve fazer o rastreamento?
O novo protocolo nacional do SUS estabelece o rastreamento com FIT para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. A estratégia foi anunciada pelo Ministério da Saúde em maio de 2026 e deve ampliar o acesso à detecção precoce da doença.
A recomendação para esse grupo não significa que pessoas mais jovens estejam livres do risco. Quem apresenta sintomas, histórico familiar importante ou outras condições que aumentem o risco pode precisar de uma avaliação individualizada.
Por que o câncer colorretal preocupa?
O câncer colorretal está entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil. Para cada ano do triênio 2026-2028, o INCA estima 53,8 mil novos casos de câncer de intestino no país.
A doença está relacionada a diferentes fatores. O risco aumenta com a idade e também pode estar associado ao excesso de peso, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, histórico familiar e alimentação com grande quantidade de carnes processadas e pouca presença de alimentos vegetais.
Isso não significa que um único hábito provoque a doença. O câncer não tem uma causa única, e diferentes fatores podem interagir ao longo da vida.
Como reduzir o risco de câncer de intestino?
Alguns hábitos estão associados à redução do risco de desenvolver câncer de intestino.
Entre as medidas recomendadas pelo INCA estão manter o peso corporal adequado, praticar atividade física regularmente, não fumar, evitar bebidas alcoólicas e priorizar uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais.
Também é recomendado limitar o consumo de carne vermelha e evitar carnes processadas, como salsicha, linguiça, bacon, presunto e salame. O INCA orienta limitar a carne vermelha a menos de 500 gramas de carne cozida por semana.
Além dos hábitos de prevenção, a atenção aos sintomas continua sendo fundamental. Sangue nas fezes, alterações persistentes no funcionamento do intestino, dor abdominal e perda de peso sem explicação devem ser levados ao conhecimento de um profissional de saúde.
O caso relatado por Lúcio Mauro Filho também chama atenção para a importância dos exames médicos de acompanhamento. Em algumas situações, alterações podem ser identificadas antes mesmo de provocar sintomas, aumentando a possibilidade de investigação e tratamento em fases mais iniciais.
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