O controle do colesterol na infância pode ajudar a identificar precocemente alterações que aumentam o risco de doenças cardiovasculares no futuro. No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado neste sábado (8), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça a importância de avaliar os níveis da substância ainda na infância e manter hábitos que protejam a saúde do coração.
Segundo o vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC, Renato Jorge Alves, um estudo publicado em 2025 recomenda que todas as pessoas façam a dosagem do colesterol aos 10 anos de idade.
“O conselho que eu dou é que todo mundo faça um exame preventivo de colesterol, junto com o de glicose.”
O exame também pode ajudar a identificar casos de hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que provoca níveis muito elevados de colesterol e pode se manifestar ainda na infância.
Colesterol alto em crianças pode ter relação com a alimentação
A alimentação é um dos fatores que podem contribuir para o aumento do colesterol na infância. O consumo frequente de alimentos ricos em gorduras saturadas e trans pode elevar principalmente o colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”.
Por isso, a prevenção deve incluir uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividades físicas.
Entre os alimentos que merecem atenção estão:
- Carnes vermelhas em excesso;
- Frios e embutidos;
- Chocolates e alimentos ricos em gordura saturada;
- Salgadinhos e outros ultraprocessados;
- Biscoitos recheados e produtos com gordura trans.
O cardiologista destaca que mudanças na alimentação podem reduzir o colesterol em cerca de 5% a 10%. Isso ocorre porque aproximadamente 70% do colesterol é produzido pelo próprio organismo.
Quando o colesterol alto pode indicar uma doença genética?
Níveis muito elevados de colesterol na infância podem levantar a suspeita de hipercolesterolemia familiar, doença genética que pode provocar alterações importantes desde os primeiros anos de vida.
Segundo Renato Alves, quando os níveis de colesterol ultrapassam 300 mg/dL, há forte indicação de uma possível origem genética.
Nesses casos, apenas mudanças no estilo de vida podem não ser suficientes. O paciente precisa ser avaliado por um médico para definir o tratamento adequado.
O diagnóstico precoce é especialmente importante porque o colesterol elevado por longos períodos pode favorecer o desenvolvimento de placas de gordura nas artérias e aumentar o risco de problemas cardiovasculares.
Atividade física e sono também influenciam
A prevenção não depende apenas da alimentação. A prática regular de atividade física também faz parte dos cuidados recomendados para manter a saúde cardiovascular.
A orientação citada pelo cardiologista é acumular entre 150 e 300 minutos de exercícios por semana, de acordo com as condições e necessidades de cada pessoa.
O sono também merece atenção. Dormir mal pode interferir no metabolismo e favorecer alterações nos níveis de colesterol e triglicérides.
O estresse prolongado é outro fator que pode prejudicar a saúde cardiovascular, especialmente por sua relação com o aumento da pressão arterial e outras alterações metabólicas.
Dieta carnívora não é indicada para reduzir colesterol na infância
A chamada dieta carnívora, baseada principalmente no consumo de alimentos de origem animal e na exclusão de alimentos vegetais, não é recomendada pelo cardiologista para quem precisa controlar o colesterol na infância.
Segundo Renato Alves, esse padrão alimentar pode apresentar grande quantidade de gordura saturada, capaz de aumentar os níveis de colesterol LDL.
Para uma alimentação mais adequada, a recomendação é manter uma dieta equilibrada, com diferentes grupos de alimentos e quantidades apropriadas de proteínas, carboidratos e gorduras.
Tratamento do colesterol pode incluir medicamentos
Quando o colesterol permanece elevado ou existe uma condição genética, o médico pode indicar medicamentos, principalmente as estatinas.
O cardiologista alerta que pacientes que utilizam esses remédios não devem interromper o tratamento por conta própria.
“O paciente não deve interromper esse tratamento.”
Caso a estatina não seja suficiente para alcançar a meta definida pelo médico, outros medicamentos podem ser associados, conforme o risco cardiovascular de cada pessoa.
As estatinas são utilizadas há décadas e, segundo o especialista, estudos científicos demonstram redução do risco de infarto, AVC e morte por doenças cardiovasculares entre pacientes indicados para esse tipo de tratamento.
Por que controlar o colesterol desde cedo?
O colesterol na infância elevado está entre os fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, ao lado de problemas como hipertensão, diabetes e tabagismo.
A formação de placas de gordura nas artérias, conhecida como aterosclerose, ocorre de maneira progressiva e também envolve processos inflamatórios.
Por isso, identificar alterações ainda na infância, principalmente quando existe histórico familiar de colesterol muito alto, pode permitir acompanhamento e tratamento mais cedo.
A prevenção também ajuda a evitar que outros fatores de risco se acumulem ao longo da vida e aumentem as chances de complicações cardiovasculares.
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