O El Niño no Brasil elevou, neste ano, o risco de alta nos preços de alimentos e energia elétrica, segundo avaliação apresentada em mesa redonda no Instituto Clima e Sociedade. Especialistas apontaram que mudanças no regime de chuvas ameaçam safras relevantes e podem pressionar o orçamento das famílias nas próximas semanas e meses.
As previsões indicam seca mais intensa na Região Norte e aumento de chuvas fortes no Sul e no Sudeste. No Rio Grande do Sul, um dos principais produtores de arroz do país, o excesso de chuva coloca parte da safra em risco.
Como o El Niño no Brasil pressiona o preço dos alimentos
O El Niño no Brasil afeta a agricultura porque altera períodos de chuva, temperatura e umidade em regiões produtoras. Durante o debate, Eduardo Assad e Guilherme Bastos indicaram que as perdas em alimentos como soja, milho, café e laranja podem variar entre 7% e 10%.
Quando a produção cai, a oferta diminui e o preço ao consumidor tende a subir. Esse efeito pesa mais sobre famílias de renda baixa, que destinam parcela maior do orçamento à compra de alimentos básicos.
Além disso, a instabilidade climática dificulta o planejamento dos agricultores. Plantio, colheita, transporte e armazenamento dependem de condições mínimas de clima, e atrasos em uma etapa podem afetar toda a cadeia de abastecimento.
Por que o El Niño no Brasil também afeta a energia
O El Niño no Brasil também preocupa pelo efeito sobre reservatórios usados na geração de energia. Com menos chuva em áreas estratégicas, hidrelétricas podem reduzir a produção e ampliar a necessidade de acionamento de termelétricas, que têm custo mais alto.
Por outro lado, o calor aumenta o consumo de eletricidade em casas, comércios e serviços, especialmente pelo uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. A combinação de maior demanda e geração mais cara pode pressionar tarifas e despesas mensais.
O debate também relacionou o impacto climático à degradação ambiental. Um estudo publicado na revista PNAS apontou que o desmatamento recente corresponde a perda de precipitação sazonal entre 6% e 30%, dado que ajuda a explicar a vulnerabilidade de áreas agrícolas às mudanças no regime de chuvas.
Para o leitor, o efeito imediato do El Niño no Brasil aparece no acompanhamento de preços de alimentos, no uso de energia e na atenção a comunicados oficiais sobre clima, abastecimento e tarifas. Famílias atípicas, mães atípicas e cuidadores, que muitas vezes têm gastos fixos elevados com saúde, transporte e rotina de cuidado, podem precisar revisar compras e consumo doméstico diante de novas altas.
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