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Medicamentos contra obesidade: riscos do uso por conta própria e de origem duvidosa

Medicamentos contra obesidade: riscos do uso por conta própria e de origem duvidosa
Medicamentos contra obesidade. Imagem: Haberdoedas/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

Os medicamentos contra obesidade, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, trouxeram novas possibilidades para o tratamento do excesso de peso. Mas, quando essas substâncias são compradas sem receita, pela internet ou de fontes sem procedência, o que deveria ser um tratamento pode se transformar em um risco para a saúde.

O problema pode atingir pessoas de diferentes idades. Há quem procure esses medicamentos para perder poucos quilos por questões estéticas, adolescentes que enfrentam problemas relacionados ao peso e até crianças que podem receber medicamentos sem indicação adequada.

Em todos esses casos, o principal problema é o mesmo: o uso sem diagnóstico, prescrição, produto confiável e acompanhamento médico.

Como funcionam os medicamentos contra obesidade?

Para entender os riscos, primeiro é importante saber como esses medicamentos agem no organismo.

A semaglutida e a liraglutida são medicamentos contra obesidade que imitam a ação do GLP-1, um hormônio produzido pelo organismo que participa do controle da glicose e da saciedade. Entre seus efeitos está a redução do apetite e o aumento da sensação de estar satisfeito após as refeições.

A tirzepatida também atua sobre o GLP-1, mas tem uma ação adicional sobre o GIP, outro hormônio envolvido no controle da glicose e do apetite.

Esses medicamentos fazem parte do tratamento da obesidade, uma doença crônica que envolve fatores biológicos e não pode ser reduzida simplesmente à falta de força de vontade.

Ao mesmo tempo, o fato de serem medicamentos eficazes não significa que possam ser utilizados livremente. Cada um possui indicações, doses, contraindicações e possíveis efeitos adversos que precisam ser avaliados por um profissional.

Por que comprar medicamentos contra obesidade sem orientação é perigoso?

Um dos principais problemas de consumir medicamentos contra obesidade sem orientação médica está na procedência do produto.

Medicamentos comprados pela internet, trazidos do exterior sem registro ou adquiridos de fontes desconhecidas podem não oferecer garantia sobre sua composição, concentração, armazenamento e conservação.

Na prática, a pessoa pode não ter certeza sobre o que está colocando no próprio organismo ou sobre a quantidade correta do princípio ativo.

O mesmo cuidado vale para produtos manipulados ou comercializados sem os controles necessários. Sem rastreabilidade, fica mais difícil garantir a qualidade e a segurança do medicamento.

Outro risco é a automedicação.

Antes de iniciar um tratamento com medicamentos contra obesidade, o médico precisa avaliar se existe indicação para o uso do medicamento, verificar possíveis contraindicações e definir a dose adequada. Em muitos casos, a dose é aumentada gradualmente, de acordo com a resposta e a tolerância do paciente.

O acompanhamento também continua depois do início do tratamento. Náuseas, vômitos e outros efeitos gastrointestinais podem ocorrer e precisam ser avaliados. Além disso, alterações na dose ou o uso inadequado podem aumentar o risco de complicações.

Medicamentos contra obesidade não são para perder alguns quilos rapidamente

A popularização dos medicamentos contra obesidade também aumentou a procura por essas substâncias para fins estéticos.

Mas existe uma diferença importante entre tratar uma doença e tentar acelerar a perda de alguns quilos.

A indicação do tratamento depende da avaliação individual do paciente, considerando o grau da obesidade, outras condições de saúde e os riscos associados ao excesso de peso.

Uma classificação mais recente proposta para a obesidade diferencia os casos de obesidade clínica e obesidade pré-clínica.

Na obesidade clínica, o excesso de gordura já causa alterações no funcionamento do organismo ou limita atividades do dia a dia. Na obesidade pré-clínica, essas alterações ainda não estão presentes, mas existe um risco maior de desenvolver problemas de saúde.

Essa avaliação ajuda a entender por que o tratamento não deve ser definido apenas pelo número apresentado na balança. O médico precisa analisar o quadro completo antes de decidir qual estratégia é mais adequada.

E quando o paciente é criança ou adolescente?

A preocupação aumenta quando o assunto envolve crianças e adolescentes.

Existem medicamentos contra obesidade com indicação para adolescentes a partir de determinadas idades, sempre dentro de critérios específicos e com acompanhamento profissional. Isso mostra que o tratamento medicamentoso pode fazer parte do cuidado de pacientes mais jovens quando realmente existe indicação.

Isso, porém, é muito diferente de oferecer uma injeção por conta própria.

Em crianças e adolescentes, a avaliação precisa considerar também a fase de crescimento e desenvolvimento, além das características individuais de cada paciente. Por isso, o tratamento deve ser conduzido por profissionais capacitados e com medicamentos que tenham indicação adequada para aquela faixa etária.

Obesidade precisa ser tratada, mas com segurança

Os medicamentos contra obesidade representam um avanço importante no tratamento da doença. Estudos mostram resultados expressivos na perda de peso com algumas dessas substâncias, o que ajuda a explicar o aumento da procura.

Justamente por serem medicamentos eficazes, porém, eles não devem ser tratados como produtos comuns para emagrecimento.

O uso seguro depende de quatro pontos fundamentais: diagnóstico, prescrição, medicamento de procedência conhecida e acompanhamento médico.

Quando esses cuidados são deixados de lado, uma ferramenta que pode ajudar no tratamento da obesidade passa a representar um risco desnecessário.

Por isso, a discussão não precisa ser sobre ser contra ou a favor dos medicamentos contra obesidade. O mais importante é garantir que quem realmente precisa tenha acesso ao tratamento correto, enquanto pessoas de qualquer idade sejam orientadas a não recorrer a produtos de origem duvidosa ou à automedicação.

Obesidade é uma doença e merece tratamento. E o tratamento precisa ser acompanhado por um profissional de saúde.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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