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Recuperação após AVC: novo tratamento injetável é testado em pesquisa

Recuperação após AVC
Recuperação após AVC. Imagem: Kampus Production/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

Um biomaterial injetável desenvolvido por pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, apresentou resultados promissores para a recuperação após AVC em testes realizados com ratos. O material foi aplicado na região do cérebro lesionada e estimulou a formação de vasos sanguíneos, a atuação de células do sistema imunológico e a recuperação dos movimentos dos animais.

Os resultados foram publicados em 21 de julho na revista Cell Biomaterials. O estudo, porém, ainda está em fase pré-clínica, o que significa que o tratamento não foi testado em seres humanos.

Como funciona o tratamento para recuperação após AVC

No AVC isquêmico, um coágulo impede a passagem do sangue para uma parte do cérebro. Mesmo quando o fluxo sanguíneo é restabelecido, as células que morreram por falta de oxigênio não são recuperadas. Com isso, pode ficar uma cavidade no local atingido.

A proposta dos pesquisadores é preencher essa área com um biomaterial capaz de criar condições favoráveis para a reorganização do tecido e a recuperação após AVC.

Depois de ser aplicado, o material forma uma estrutura com pequenos espaços, que serve como suporte para a entrada de células e para o crescimento de novos tecidos. A equipe também adicionou ao biomaterial sinais biológicos capazes de atrair células de defesa e estimular a formação de vasos sanguíneos.

Segundo a engenheira biomédica Tatiana Segura, responsável pelo estudo, a intenção é fazer com que diferentes processos envolvidos no reparo do cérebro aconteçam ao mesmo tempo.

Células de defesa podem ajudar no reparo do cérebro

Um dos pontos observados no estudo foi a participação do sistema imunológico. Os pesquisadores recrutaram células de defesa para a região afetada, incluindo os neutrófilos.

Essas células costumam estar relacionadas à inflamação nas primeiras fases de um AVC. Os resultados, no entanto, indicaram que elas também podem participar do processo de reparo em um momento posterior, dependendo dos sinais presentes no local da lesão.

Quando os cientistas reduziram a quantidade de neutrófilos, houve menor formação de novos vasos sanguíneos e menos reorganização do tecido cerebral.

Para a pesquisadora Shangjing Xin, os resultados indicam que a atuação dessas células pode mudar conforme o momento e o ambiente em que elas estão e trabalharem para a recuperação após AVC.

Tratamento estimulou vasos e fibras nervosas

Além da resposta imunológica, o biomaterial estimulou o crescimento de novos vasos sanguíneos e de fibras nervosas na região lesionada.

Os pesquisadores também observaram melhora nos movimentos dos animais. Em testes de caminhada realizados algumas semanas depois do tratamento, os ratos apresentaram desempenho semelhante ao dos animais que não tinham sofrido lesão cerebral.

Outro resultado chamou a atenção da equipe: os sinais biológicos utilizados no experimento não produziram o mesmo efeito quando foram aplicados sem o biomaterial. Isso indica que a estrutura criada pelo material pode ser uma parte importante do tratamento e recuperação após AVC.

O que falta para o tratamento chegar aos pacientes

Apesar dos resultados positivos, ainda é cedo para saber se a estratégia poderá ser usada na recuperação após AVC em seres humanos.

Como os testes foram realizados em animais, são necessários novos estudos para avaliar a segurança, a eficácia e o funcionamento do tratamento em diferentes situações. A equipe também pretende entender melhor como cada tipo de célula participa da recuperação do cérebro.

Os pesquisadores estudam ainda o uso de células humanas em laboratório para produzir os sinais biológicos incorporados ao biomaterial.

A proposta é desenvolver uma terapia que ajude o próprio organismo a reorganizar a região afetada pelo AVC, em vez de depender apenas da adaptação de outras áreas do cérebro para compensar as funções perdidas e garantir a recuperação após AVC.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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