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Vape está associado a maior alteração pulmonar que cigarro comum, diz estudo

Vape prejudica pulmões mais do que cigarro comum, diz estudo
Vape prejudica pulmões mais do que cigarro comum, diz estudo. Imagem: El gringo photo/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

O vape, nome popular do cigarro eletrônico, foi associado a alterações na função pulmonar mais acentuadas do que as observadas em fumantes de cigarro convencional em um estudo realizado no Brasil. A pesquisa avaliou 45 pessoas entre 18 e 40 anos e encontrou sinais de obstrução das vias aéreas entre os usuários do dispositivo.

O trabalho foi realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT-RS) e publicado em 2 de outubro de 2026 na revista científica Fisioterapia em Movimento. Os participantes foram divididos em três grupos: usuários de vape, fumantes de cigarro convencional e pessoas que não fumavam.

Os resultados chamam atenção para possíveis efeitos do cigarro eletrônico sobre os pulmões. O estudo teve uma amostra pequena e avaliou a função pulmonar em um momento específico, sendo necessários estudos maiores e com acompanhamento mais longo para entender os efeitos do uso prolongado.

O que o estudo encontrou sobre o vape?

Todos os participantes passaram por uma espirometria, exame que mede a quantidade de ar que uma pessoa consegue expirar e a velocidade com que esse ar sai dos pulmões.

Os usuários de vape apresentaram resultados piores em indicadores importantes da função pulmonar. Eles conseguiram expelir menos ar no primeiro segundo de uma expiração forçada do que os não fumantes. Quando esse resultado foi comparado proporcionalmente ao volume total de ar expirado, o grupo do vape também apresentou desempenho inferior ao dos fumantes de cigarro convencional.

Na prática, isso significa que o ar conseguiu sair dos pulmões, mas encontrou mais dificuldade para passar pelas vias respiratórias.

Alteração pode indicar obstrução das vias aéreas

Um dos principais parâmetros observados na espirometria é a relação entre o volume expirado no primeiro segundo e a capacidade vital forçada. Alterações nesse índice podem indicar dificuldade para o ar passar pelas vias aéreas.

No estudo, os resultados dos usuários de vape foram compatíveis com um sinal precoce de obstrução do fluxo de ar. Esse tipo de alteração está relacionado a problemas respiratórios que podem aparecer em doenças como a doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida como DPOC.

Isso não significa que os participantes já tivessem DPOC ou que necessariamente desenvolverão a doença. O estudo identificou uma alteração da função pulmonar, e não um diagnóstico de doença respiratória.

Usuários eram jovens e apresentavam tosse

Outro aspecto observado pelos pesquisadores foi a idade dos participantes. Entre os usuários de vape, a média era de 21 anos, e o tempo médio de uso do cigarro eletrônico chegava a quase oito anos.

A maioria desses participantes também relatou perceber alguma piora na própria saúde depois que começou a usar o dispositivo. A tosse foi o sintoma mais citado.

Mesmo assim, a ausência de sintomas não significa que não existam alterações pulmonares. Os resultados do estudo mostram que mudanças na função dos pulmões podem ser identificadas por exames mesmo em pessoas jovens.

Vape é mais seguro que o cigarro comum?

A pesquisa questiona a ideia de que o cigarro eletrônico seria uma alternativa sem riscos ou necessariamente mais segura para os pulmões.

Os pesquisadores destacam que o vape não produz a mesma fumaça gerada pela queima do tabaco, mas isso não significa que a inalação do aerossol seja inofensiva. O conteúdo inalado pode conter diferentes substâncias químicas, e os efeitos do uso prolongado ainda não são completamente conhecidos.

Além disso, os resultados deste estudo não permitem estabelecer uma comparação definitiva de risco entre vape e cigarro convencional para todas as doenças respiratórias. A pesquisa analisou um grupo pequeno e avaliou principalmente parâmetros de função pulmonar.

Por que a espirometria é importante?

A espirometria é um exame utilizado para avaliar o funcionamento dos pulmões. Durante o procedimento, a pessoa sopra em um aparelho que registra quanto ar consegue expelir e com que velocidade.

O exame pode ajudar a identificar alterações no fluxo de ar antes mesmo que uma doença respiratória esteja claramente estabelecida.

No estudo brasileiro, foi justamente essa avaliação que permitiu identificar diferenças entre os três grupos. Os usuários de vape apresentaram os sinais mais acentuados de alteração no fluxo de ar.

O que ainda precisa ser investigado?

Os pesquisadores ressaltam que ainda é necessário acompanhar os participantes por mais tempo para descobrir como essas alterações evoluem. Também são necessários estudos com um número maior de pessoas e diferentes padrões de uso.

Outra questão é entender quais componentes presentes nos aerossóis dos cigarros eletrônicos estão mais relacionados às alterações observadas e se o risco aumenta conforme o tempo ou a intensidade de uso.

Como o estudo é observacional e contou com apenas 45 participantes, os resultados devem ser interpretados com cautela. Eles indicam uma associação entre o uso do vape e pior função pulmonar, mas não comprovam uma relação de causa e efeito.

Ainda assim, os dados reforçam que o cigarro eletrônico não deve ser tratado como um produto sem riscos e que seus possíveis efeitos sobre a saúde respiratória precisam continuar sendo investigados.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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