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Venetoclax reduz células de HIV em estudo com macacos

Venetoclax reduz células de HIV em estudo com macacos
Venetoclax reduz células de HIV em estudo com macacos. Imagem: Daniel Dan/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

Um medicamento já utilizado no tratamento de alguns tipos de câncer apresentou resultados promissores contra células infectadas por um vírus semelhante ao HIV em um estudo com macacos. O venetoclax, usado em combinação com a terapia antirretroviral, reduziu de forma rápida e prolongada o chamado reservatório viral, formado por células que permanecem infectadas mesmo quando o vírus está controlado pelos medicamentos.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado em 3 de setembro na revista Nature Microbiology. Os resultados ainda são pré-clínicos e não significam que o medicamento já possa ser usado para tratar o HIV com esse objetivo em pessoas.

Como o venetoclax pode ajudar no tratamento do HIV

O HIV infecta principalmente células do sistema imunológico chamadas linfócitos T CD4. A terapia antirretroviral consegue impedir que o vírus se multiplique, mas algumas células infectadas permanecem no organismo em estado de latência.

Esse reservatório é considerado um dos principais obstáculos para a cura do HIV, porque o vírus pode voltar a se multiplicar caso o tratamento seja interrompido.

O venetoclax bloqueia uma proteína chamada BCL-2, que ajuda a manter as células vivas. A proteína também participa da sobrevivência de algumas células infectadas pelo HIV.

A ideia dos pesquisadores é que, ao bloquear a BCL-2, o medicamento torne essas células mais suscetíveis à eliminação pelo organismo durante o uso da terapia antirretroviral.

Estudo encontrou redução de células infectadas

Os testes foram realizados em 24 macacos rhesus infectados com o vírus da imunodeficiência símia (SIV), utilizado como modelo para estudar mecanismos relacionados ao HIV.

Os animais receberam terapia antirretroviral isoladamente ou em combinação com dez doses diárias de venetoclax. Após o tratamento, os pesquisadores acompanharam os animais por até 294 dias.

Nos macacos que receberam a combinação, houve uma redução significativa das células que continham material genético viral intacto no sangue. O efeito também foi observado nos linfonodos, estruturas que fazem parte do sistema imunológico.

A quantidade de células infectadas permaneceu menor durante o acompanhamento, indicando que o efeito não desapareceu imediatamente depois do fim das doses de venetoclax. O medicamento, porém, não eliminou completamente o reservatório.

Por que o reservatório viral é tão importante?

Mesmo com a carga viral indetectável, algumas células podem permanecer infectadas. A terapia antirretroviral impede a multiplicação do HIV, mas não consegue eliminar todas essas células.

Por isso, uma das principais linhas de pesquisa em busca de uma cura é encontrar maneiras de atingir o reservatório sem causar danos ao organismo.

Os pesquisadores afirmam que os resultados com o venetoclax dão suporte à investigação de medicamentos que bloqueiem a BCL-2 como parte de futuras estratégias para reduzir a persistência do HIV.

Venetoclax ainda precisa ser testado em pessoas

Apesar dos resultados em macacos, ainda não é possível afirmar que o venetoclax será eficaz ou seguro para reduzir o reservatório do HIV em seres humanos.

Dois estudos clínicos já estão em andamento para avaliar o medicamento em pessoas que vivem com HIV. Um deles, registrado no ClinicalTrials.gov, é um estudo de fase 1 que investiga a segurança e o efeito do venetoclax em pessoas que estão iniciando a terapia contra o HIV. Outro ensaio também avalia o medicamento em pessoas que já fazem tratamento antirretroviral.

A pesquisa da Universidade Emory (EU), portanto, representa uma etapa experimental. Novos estudos serão necessários para determinar se a redução do reservatório observada nos animais poderá ser reproduzida em seres humanos e se isso poderá contribuir, no futuro, para estratégias de cura do HIV.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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