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Aumento nos diagnósticos de TDAH: entenda o que está por trás

O aumento nos diagnósticos de TDAH reflete mais informação, não epidemia. Veja o alerta dos especialistas contra o autodiagnóstico.
Aumento nos diagnosticos de TDAH e o alerta dos especialistas contra o autodiagnostico
A neuropsicóloga Gleyna Lemos durante uma palestra sobre TDAH e suas implicações — Imagem: IA
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

O aumento nos diagnósticos de TDAH marca o Dia Mundial de Conscientização do transtorno, celebrado em 13 de julho, e leva especialistas a um alerta duplo: a maior procura reflete mais informação e menos estigma, mas também exige cautela com o autodiagnóstico feito pela internet.

Nos últimos anos, cresceu a busca por avaliação do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) — movimento que profissionais de saúde leem como avanço, e não como uma “epidemia”. A neuropsicóloga Gleyna Lemos resume: “As evidências científicas sugerem que não houve uma explosão na incidência do TDAH. O que temos observado é que tem se falado mais abertamente sobre o tema”.

📌 Resumo

  • O Dia Mundial de Conscientização do TDAH é celebrado em 13 de julho.
  • A procura por diagnóstico cresceu — reflexo de mais informação, não de uma epidemia.
  • Especialistas alertam contra o autodiagnóstico e os testes de triagem da internet.
  • A automedicação com estimulantes, comum entre estudantes, preocupa pelos riscos.
  • O diagnóstico é clínico e deve ser feito por profissional qualificado.

Por que cresce a procura por diagnóstico de TDAH

Para Gleyna Lemos, o aumento nos diagnósticos de TDAH tem menos a ver com novos casos e mais com a queda do estigma que cercava o tema. Segundo a neuropsicóloga, estimativas internacionais apontam que o transtorno atinge cerca de 5% a 8% da população geral, faixa que pode chegar a 5% a 15% entre crianças e adolescentes — percentuais que variam conforme a metodologia e a população estudada. Ela reforça que o quadro é de natureza clínica: “O diagnóstico do TDAH é de natureza estritamente clínica e deve ser conduzido por especialistas qualificados”, e que a avaliação neuropsicológica “atua de forma complementar, mapeando o perfil cognitivo”.

Os riscos do autodiagnóstico nas redes sociais

O ponto que mais preocupa os especialistas é a substituição da avaliação profissional por checklists que circulam nas redes. O psiquiatra Walter Barbalho, chefe da unidade de saúde mental do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), é direto: “O que acaba atrapalhando muito hoje em dia é que as pessoas fazem testes de triagem na internet”. Ele lembra que sintomas como a desatenção não são exclusivos do TDAH — podem vir do estresse, da privação de sono ou de outras condições, e só uma avaliação clínica consegue diferenciar. Esse fenômeno já foi tema de reportagem do SERTEP sobre o autodiagnóstico de TDAH e autismo nas redes sociais.

Automedicação com estimulantes acende o alerta

Com a maior visibilidade do tema, cresce também o uso de psicoestimulantes sem prescrição — sobretudo entre estudantes e candidatos a concursos em busca de desempenho. A prática é arriscada. “São medicações que aumentam a ansiedade, têm efeitos cardiológicos”, adverte Barbalho. Usar remédio de tarja preta sem diagnóstico e acompanhamento pode agravar quadros de saúde em vez de resolver dificuldades de concentração.

Como é feito o diagnóstico correto

Não existe exame único que “detecte” o TDAH: o diagnóstico é clínico, feito por médico habilitado (em geral psiquiatra ou neurologista) a partir do histórico, dos sintomas e do impacto na vida da pessoa, com a avaliação neuropsicológica servindo de apoio. Vale para todas as fases da vida — inclusive quem só descobre na fase adulta. O SERTEP reúne orientações sobre sinais, diagnóstico e tratamento do TDAH em adultos e sobre o diagnóstico do TDAH em mulheres, que costuma ser mais tardio.

O acesso pelo SUS ainda é um gargalo

Apesar do avanço no reconhecimento, o acesso ao diagnóstico e às terapias segue desigual: a rede pública ainda enfrenta falta de profissionais e de vagas, e boa parte das famílias esbarra no custo das consultas e das terapias complementares. Ampliar o cuidado, dizem especialistas, passa por reforçar a rede do SUS e a formação de profissionais para atender à demanda crescente.

⚠️ Importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Testes e checklists da internet não diagnosticam TDAH. Em caso de suspeita, procure um médico habilitado (como psiquiatra ou neurologista); o diagnóstico e o tratamento devem ser sempre conduzidos por profissionais de saúde.

Perguntas frequentes

O TDAH está realmente aumentando?

Segundo especialistas, não há evidência de uma explosão de casos. O que cresceu foi o reconhecimento do transtorno e a busca por diagnóstico, à medida que o tema perdeu o estigma.

Posso me autodiagnosticar com testes da internet?

Não. Listas de sintomas e testes de triagem online podem servir de alerta, mas não fecham diagnóstico — sintomas como desatenção têm várias causas e exigem avaliação clínica.

Quem faz o diagnóstico de TDAH?

Um médico habilitado — em geral psiquiatra ou neurologista —, com base em critérios clínicos. A avaliação neuropsicológica é um apoio importante, mas complementar.

Para se aprofundar, veja também as diferenças entre TDAH em adultos e a discussão sobre o autodiagnóstico nas redes. Informações confiáveis também estão no site da ABDA — Associação Brasileira do Déficit de Atenção.

Sobre o autor
A Redação do SERTEP Notícias é a equipe editorial responsável pela apuração, checagem e publicação das reportagens do portal — o braço de comunicação da SERTEP – Núcleo de Neurodiversidade. Especializada em saúde, neurodiversidade, inclusão e serviços públicos do Vale do Aço (MG), trabalha com fontes oficiais, checagem factual e linguagem clara, sempre com o beneficiário da notícia no centro. Conheça nossos padrões na Política Editorial.

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