A prevenção do câncer ainda é desconhecida por 27% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada pela Umane em parceria com a Vital Strategies e apoio do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O levantamento ouviu mais de 6.500 pessoas e aponta uma lacuna de informação sobre a possibilidade de reduzir riscos por hábitos saudáveis e intervenções sociais.
O dado aparece em um cenário de previsão de 781 mil novos casos de câncer no Brasil neste ano. Para os autores do levantamento, a falta de informação limita a capacidade da população de reconhecer fatores de risco e de cobrar ações públicas voltadas à saúde preventiva.
O que a pesquisa mostra sobre prevenção do câncer
A prevenção do câncer aparece no levantamento como um tema conhecido de forma desigual. Embora 90,5% dos entrevistados reconheçam a relação entre fumo e câncer, outros fatores de risco têm menor visibilidade entre a população.
A obesidade, por exemplo, foi reconhecida como fator de risco por 54,1% dos participantes. A pesquisa também cita alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de ultraprocessados e uso de cigarros eletrônicos entre pontos que exigem maior atenção em campanhas e políticas de saúde.
Segundo Evelyn Santos, nutricionista e gerente da Umane, medidas contra a venda e o uso de cigarros eletrônicos precisam avançar junto com ações que favoreçam atividade física e alimentação saudável. Além disso, ela defende campanhas baseadas em evidências científicas e com comunicação mais rápida para a população.
Fatores de risco na prevenção do câncer
A prevenção do câncer não elimina todos os casos da doença, mas reduz a exposição a fatores associados ao aumento de risco. O levantamento destaca que parte da população ainda associa prevenção principalmente ao cigarro, sem reconhecer com a mesma clareza outros hábitos e condições.
Entre os fatores citados na pesquisa estão:
- Tabagismo e uso de cigarros eletrônicos;
- Obesidade e alimentação inadequada;
- Sedentarismo e falta de espaços urbanos seguros para atividade física;
- Presença de ultraprocessados em ambientes como escolas e comunidades.
Por outro lado, a experiência de campanhas antitabagistas é citada como referência para novas estratégias. A pesquisa aponta que ações sustentadas por evidências contribuíram para ampliar a percepção de risco sobre o fumo, enquanto obesidade e sedentarismo ainda recebem menor reconhecimento público.
Políticas públicas para prevenção do câncer
A prevenção da doença também depende de medidas fora do consultório, segundo o levantamento. A pesquisa cita a necessidade de integração entre saúde, educação, urbanismo e assistência social para criar ambientes que favoreçam escolhas mais saudáveis.
Programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Saúde na Escola (PSE) são mencionados como exemplos de ações que podem influenciar alimentação, orientação em saúde e acesso à informação. Dessa forma, escolas e comunidades entram no centro da discussão sobre ambientes mais saudáveis.
O principal ponto é buscar orientação sobre fatores de risco individuais e acompanhar medidas públicas relacionadas a tabagismo, alimentação, atividade física e proteção de crianças e adolescentes em ambientes escolares.
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