O uso problemático de mídias sociais pode estar associado ao aumento dos sintomas de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em adolescentes, especialmente entre meninos de 14 a 16 anos. A conclusão é de um estudo publicado no periódico científico JAMA Network Open, que acompanhou mais de 11 mil jovens nos Estados Unidos ao longo de cinco anos.
Segundo os pesquisadores, adolescentes que apresentaram um uso de mídias sociais acima do habitual tiveram, no ano seguinte, um aumento nos sintomas de TDAH relatados pelos pais. Apesar da associação identificada, os autores ressaltam que os efeitos observados foram de pequena magnitude e que o estudo não permite afirmar uma relação de causa e efeito.
Pesquisa acompanhou mais de 11 mil adolescentes
O estudo analisou dados de 11.286 participantes do Adolescent Brain Cognitive Development Study, com idade média de 12 anos no início do acompanhamento. Durante cinco avaliações anuais, os pesquisadores compararam mudanças no comportamento dos adolescentes e na intensidade dos sintomas de TDAH.
Para avaliar o uso problemático de mídias sociais, os jovens responderam a um questionário sobre comportamentos relacionados ao uso de plataformas digitais, como dificuldade para controlar o tempo de uso, impacto na rotina e necessidade constante de acessar as redes sociais.
Já os sintomas de TDAH foram informados pelos pais por meio de uma escala baseada nos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).
Associação foi mais evidente entre adolescentes do sexo masculino
Os resultados mostraram que anos com maior uso problemático de mídias sociais foram seguidos por aumento dos sintomas de TDAH nos anos seguintes. A relação inversa — sintomas de TDAH associados a maior uso problemático das redes sociais — também foi observada, mas de forma menos consistente.
Quando os pesquisadores analisaram os dados por sexo, a associação entre uso problemático de mídias sociais e aumento dos sintomas de TDAH foi significativa apenas entre os adolescentes do sexo masculino durante a metade da adolescência.
Os autores destacam que os resultados reforçam a importância de avaliar não apenas o tempo de tela, mas também a forma como as mídias sociais são utilizadas, especialmente em jovens com dificuldades de atenção.
Estudo aponta necessidade de mais pesquisas
Apesar dos resultados, os pesquisadores alertam que o estudo apresenta limitações. Como se trata de uma pesquisa observacional, não é possível concluir que o uso problemático de mídias sociais provoque o aumento dos sintomas de TDAH.
Além disso, os sintomas do transtorno foram relatados pelos pais, a amostra teve predominância de adolescentes brancos e de famílias com maior renda, e o questionário reuniu diferentes plataformas digitais, que possuem características distintas de uso.
Ainda assim, os autores afirmam que os achados indicam que identificar padrões problemáticos de uso das mídias sociais pode ser relevante na avaliação clínica de adolescentes, contribuindo para estratégias de acompanhamento e prevenção mais direcionadas.
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um profissional de saúde habilitado.








