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Hiperfoco: o que é, quais são os sinais e qual a relação com TDAH e autismo

Hiperfoco: o que é e qual a relação com TDAH e autismo
Hiperfoco. Imagem: Artem Podrez/Pexels
🧠 Informação educativa
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento por profissionais habilitados.

O hiperfoco é um estado de concentração muito intensa em uma atividade, tarefa ou assunto. Durante esse período, a pessoa pode ficar tão envolvida com o que está fazendo que percebe menos o que acontece ao redor e tem dificuldade para direcionar a atenção para outra coisa.

Embora o termo seja frequentemente associado ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e ao transtorno do espectro autista (TEA), ter episódios de hiperfoco, por si só, não significa ter nenhuma dessas condições. A literatura científica ainda discute a melhor forma de definir e medir o fenômeno.

O que é hiperfoco?

O hiperfoco pode ser entendido como um estado de atenção profunda, sustentada e pouco flexível, no qual a pessoa fica fortemente absorvida por determinada atividade ou estímulo. A situação costuma acontecer quando aquilo que está sendo feito é muito interessante, prazeroso ou importante para a pessoa.

Um exemplo simples é alguém começar a jogar, pesquisar um assunto ou realizar uma tarefa que considera muito interessante e passar bastante tempo concentrado nela sem perceber que outras coisas estão acontecendo ao redor.

A expressão se tornou comum nas redes sociais, mas especialistas alertam que ela não deve ser usada simplesmente como sinônimo de gostar muito de alguma coisa ou ficar bastante concentrado. O hiperfoco envolve uma alteração mais marcante na forma como a atenção é direcionada.

Quais são os sinais de hiperfoco?

Os sinais podem variar de uma pessoa para outra, mas algumas características aparecem com frequência nas descrições do fenômeno.

Entre elas estão a perda da noção do tempo, a dificuldade para interromper uma atividade e a redução da percepção de estímulos que não estão relacionados à tarefa. Também pode haver dificuldade para mudar de atividade ou direcionar a atenção para outra demanda.

Na prática, isso pode aparecer quando a pessoa:

  • Fica muito tempo envolvida com uma atividade sem perceber as horas passarem;
  • Tem dificuldade para parar mesmo sabendo que precisa fazer outra coisa;
  • Não percebe imediatamente quando alguém fala com ela;
  • Encontra dificuldade para mudar de tarefa;
  • Mantém uma concentração muito intensa em determinado assunto ou atividade.

Ter um ou mais desses comportamentos ocasionalmente não significa necessariamente que a pessoa esteja em hiperfoco ou tenha algum transtorno.

É possível ter hiperfoco sem ter TDAH ou autismo?

Sim. O hiperfoco não é exclusivo de pessoas com TDAH ou autismo.

Uma revisão científica sobre o tema aponta que experiências semelhantes ao hiperfoco também podem ocorrer em pessoas sem diagnóstico de transtornos neuropsiquiátricos. Ao mesmo tempo, a pesquisa sobre o fenômeno ainda é limitada e não existe uma definição única totalmente aceita na literatura.

Por isso, não é correto usar a presença de hiperfoco isoladamente para concluir que uma pessoa tem TDAH ou TEA.

Essa avaliação é ainda mais importante porque diferentes características de atenção podem aparecer em situações distintas, como durante períodos de grande interesse, cansaço, estresse ou envolvimento intenso com determinada atividade.

Qual a relação entre hiperfoco e TDAH?

O TDAH não significa simplesmente que a pessoa é incapaz de prestar atenção. O transtorno envolve dificuldades persistentes na regulação da atenção, além de sintomas de hiperatividade e impulsividade em diferentes graus.

Por isso, uma pessoa com TDAH pode ter dificuldade para manter a atenção em tarefas pouco estimulantes e, ao mesmo tempo, ficar profundamente concentrada em uma atividade que desperta muito interesse.

O próprio Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) reconhece que pessoas com TDAH podem ficar profundamente envolvidas em atividades de que gostam e precisar de ajuda para mudar o foco da atenção.

Pesquisas recentes também vêm estudando esse padrão de concentração intensa em pessoas com TDAH. No entanto, o hiperfoco não faz parte, isoladamente, dos critérios usados para diagnosticar o transtorno. O diagnóstico depende de um conjunto de sintomas, da história da pessoa e do impacto dessas características em sua vida.

Hiperfoco no autismo: como ele pode aparecer?

Pessoas autistas podem apresentar interesses muito intensos e passar bastante tempo aprendendo, pensando ou trabalhando sobre determinado assunto. Esses interesses focados fazem parte das características descritas no transtorno do espectro autista.

Em alguns casos, isso pode se manifestar como uma concentração prolongada em um tema, atividade ou detalhe específico, acompanhada de dificuldade para mudar a atenção.

Pesquisas também identificam características de atenção intensa em pessoas autistas, mas mostram que esse padrão não deve ser confundido automaticamente com dificuldades de atenção ou interpretado de maneira isolada.

Importante: o hiperfoco pode aparecer com maior frequência em pessoas com TDAH e TEA, mas sua presença, isoladamente, não permite identificar ou diagnosticar nenhuma dessas condições.

Qual a diferença entre hiperfoco, concentração e obsessão?

Os três conceitos não significam a mesma coisa.

A concentração é a capacidade de direcionar a atenção para uma atividade. Ela pode ser intensa, mas normalmente permite que a pessoa interrompa ou mude de tarefa quando necessário.

O hiperfoco envolve uma absorção muito mais intensa. A pessoa pode ter dificuldade para perceber estímulos externos, notar o tempo passando ou interromper aquilo que está fazendo.

Já a obsessão está relacionada a pensamentos, imagens ou impulsos persistentes e indesejados. O termo também é usado de forma cotidiana para falar de interesse intenso, mas esse uso não corresponde necessariamente ao significado clínico da palavra.

Por isso, dizer que alguém está “obcecado” por uma atividade não significa automaticamente que essa pessoa esteja vivenciando uma obsessão clínica ou um hiperfoco.

Quanto tempo dura o hiperfoco?

Não existe um número fixo de horas que determine quanto tempo dura um hiperfoco.

A duração pode variar de acordo com a pessoa, a atividade e o contexto. Em alguns casos, a concentração intensa pode durar um período relativamente curto. Em outros, a pessoa pode permanecer envolvida por várias horas, com pouca percepção da passagem do tempo.

Mais importante que estabelecer uma duração específica é observar como essa concentração acontece e quais efeitos ela causa na rotina.

Como identificar se tenho hiperfoco?

Perceber alguns sinais pode ajudar a entender o próprio comportamento, mas isso não equivale a um diagnóstico.

Uma pessoa pode observar, por exemplo, se costuma perder a noção do tempo enquanto realiza determinadas atividades, se tem muita dificuldade para interrompê-las ou se deixa de perceber acontecimentos ao redor quando está profundamente concentrada.

Também é importante avaliar se esse padrão acontece com frequência e se provoca dificuldades no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos, no sono ou em outras áreas da vida.

Quando existe uma preocupação persistente sobre atenção, comportamento ou outras características, a avaliação deve ser feita por um profissional de saúde. No caso do TDAH, por exemplo, não existe um teste único capaz de confirmar o diagnóstico.

Quando o hiperfoco pode atrapalhar a rotina?

O hiperfoco pode ser útil em algumas situações, principalmente quando permite que a pessoa se dedique profundamente a uma tarefa. O problema aparece quando a dificuldade de interromper a atividade começa a prejudicar outras necessidades.

Isso pode acontecer quando alguém deixa de cumprir compromissos, esquece tarefas, atrasa refeições, dorme menos do que deveria ou não consegue mudar de atividade mesmo diante de outras responsabilidades.

Pesquisas sobre TDAH, por exemplo, descrevem situações em que a concentração intensa pode ajudar no desempenho de uma tarefa, mas também levar a atrasos, negligência de outras obrigações e dificuldade de organização.

Como lidar com o hiperfoco no dia a dia?

Quando o hiperfoco começa a atrapalhar a rotina, algumas estratégias podem facilitar a mudança de atividade.

Alarmes e lembretes podem ajudar a sinalizar horários de refeições, compromissos ou pausas. Também pode ser útil dividir tarefas longas em etapas menores e estabelecer previamente quando a atividade será interrompida.

Outra medida é avisar pessoas próximas sobre a dificuldade de mudar de foco. Em crianças e adolescentes com TDAH, por exemplo, o CDC recomenda oferecer avisos antes das transições e mudanças de atividade, justamente porque a pessoa pode estar profundamente envolvida em algo que considera interessante.

Quando a dificuldade interfere de maneira frequente na vida cotidiana, procurar avaliação profissional é o caminho mais adequado. O objetivo não é simplesmente eliminar a capacidade de concentração intensa, mas entender como a atenção funciona e encontrar formas de reduzir os prejuízos quando eles existem.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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