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Excesso de peso se torna principal fator de risco à saúde dos brasileiros

Obesidade vira principal fator de risco à saúde no Brasil
Obesidade vira principal fator de risco à saúde no Brasil. Imagem: MART PRODUCTION/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

A obesidade se tornou, em 2023, o principal fator de risco para a saúde da população brasileira entre os fatores analisados por um estudo do Global Burden of Disease (GBD). Em 1990, o índice de massa corporal (IMC) elevado ocupava a sétima posição.

A pesquisa, publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas, também mostra que o Brasil conseguiu reduzir o impacto de alguns fatores importantes para as doenças cardiovasculares, como o tabagismo e a pressão alta. O excesso de peso, porém, seguiu em direção contrária.

Segundo os pesquisadores, a redução desses outros riscos ajudou a diminuir as mortes por infarto e acidente vascular cerebral (AVC), que tiveram grande participação no aumento da expectativa de vida no país.

Excesso de peso avança enquanto outros riscos recuam

O levantamento faz parte do Estudo Global de Carga de Doenças, coordenado pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), da Universidade de Washington, com participação de cerca de 200 pesquisadores brasileiros.

O indicador de IMC elevado reúne casos de sobrepeso e obesidade e considera o impacto desses problemas sobre mortes precoces e anos vividos com algum tipo de incapacidade.

Entre os fatores analisados, o excesso de peso e a glicose elevada foram os que apresentaram menor redução ao longo de mais de três décadas.

Enquanto isso, outros fatores tiveram melhora. A proporção de fumantes caiu de aproximadamente um terço da população para pouco mais de um décimo. Entre as medidas que contribuíram para essa queda estão o aumento da tributação sobre o cigarro, restrições à publicidade e outras políticas de controle do tabagismo.

A hipertensão também passou a ser mais identificada e tratada nos serviços de atenção primária, com acesso a medicamentos gratuitos por programas públicos.

Os pesquisadores alertam que o avanço do peso e da glicose elevada pode dificultar novos ganhos na prevenção de doenças cardiovasculares.

Obesidade aumenta o risco para o coração

O excesso de peso não afeta apenas o número mostrado na balança. A obesidade está relacionada a alterações que podem aumentar a pressão arterial, elevar a glicose e favorecer alterações no colesterol.

A gordura acumulada principalmente na região abdominal também está associada a processos inflamatórios no organismo. Essa inflamação pode contribuir para o desenvolvimento de placas nas artérias, que dificultam a passagem do sangue.

Outro problema é que os fatores de risco podem aparecer juntos. Segundo o cardiologista Elzo Mattar, entre 70% e 75% das pessoas com obesidade também têm hipertensão.

Isso significa que uma pessoa pode conviver por anos com obesidade, pressão alta, glicose elevada e alterações no colesterol sem apresentar sintomas claros.

Infarto pode acontecer sem sinais de alerta

A história de Martino Galliano, hoje com 57 anos, mostra como o problema pode passar despercebido.

Em 2013, quando pesava cerca de 130 quilos, ele descobriu que uma artéria importante do coração estava 98% obstruída. Ele não sentia sintomas. A alteração apareceu durante um teste ergométrico de rotina.

Martino passou por cirurgia cardíaca e iniciou um processo de reabilitação. Com exercícios e acompanhamento nutricional, perdeu 80 quilos e chegou a pesar 92 quilos.

“Minha caçula tinha 3 anos, e eu tive muito medo de não vê-la crescer”, contou.

Durante o período de recuperação, ele criou uma rotina de caminhadas e manteve o acompanhamento médico.

Por que o peso pode voltar depois do emagrecimento?

Depois de perder muito peso, Martino voltou a ganhar parte dos quilos perdidos. Em fevereiro de 2022, com aproximadamente 115 quilos, sentiu uma forte pressão no peito e sofreu um infarto.

Ele precisou passar por uma angioplastia de emergência e por outro procedimento alguns dias depois.

Segundo especialistas, recuperar o peso perdido não deve ser interpretado apenas como falta de disciplina. A obesidade é uma doença crônica e o organismo reage ao emagrecimento com mudanças que podem aumentar a fome, reduzir a sensação de saciedade e diminuir o gasto de energia.

Por isso, manter a perda de peso pode ser mais difícil do que emagrecer inicialmente.

“Quem emagrece está sempre subindo uma escada rolante no sentido contrário”, compara Mattar.

Além disso, quando o peso volta, outras alterações que estavam controladas podem reaparecer, como pressão alta, glicose elevada e colesterol alto.

Cintura também é importante

O IMC é uma medida usada para avaliar a relação entre peso e altura, mas não mostra sozinho onde a gordura está concentrada.

A gordura acumulada no abdômen merece atenção porque está mais relacionada a alterações metabólicas e cardiovasculares. Por isso, a circunferência da cintura também pode ser considerada na avaliação do risco.

A chamada gordura visceral fica ao redor dos órgãos e está associada a alterações que podem favorecer inflamação e resistência à insulina, situação em que o organismo passa a ter mais dificuldade para utilizar adequadamente a glicose.

Controle do peso depende de acompanhamento

Para os especialistas, combater a obesidade exige mais do que recomendar que a pessoa faça dieta e exercícios.

O ambiente em que as pessoas vivem também influencia. Alimentos ultraprocessados costumam ser mais baratos, práticos e fáceis de encontrar do que muitas opções in natura ou minimamente processadas.

Por isso, orientações alimentares precisam levar em conta a realidade econômica das famílias.

O acompanhamento também não deve ocorrer apenas por alguns meses. Como a obesidade é uma condição crônica, o controle do peso pode exigir cuidados contínuos, assim como acontece com a hipertensão e o diabetes.

Martino mantém atualmente uma rotina de exercícios durante a semana e participa de sessões de reabilitação na piscina duas vezes por semana. A alimentação, segundo ele, ainda exige mais disciplina.

Para ele, o controle do peso precisa fazer parte da rotina.

“Saiu da linha, tem que pôr na linha de novo. Senão, complica.”

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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