Home / Saúde e Bem-Estar / Prevenção do câncer de mama: 29% das brasileiras não sabem como se prevenir
Campanha de conscientização sobre o autismo — SERTEP Notícias

Prevenção do câncer de mama: 29% das brasileiras não sabem como se prevenir

Prevenção do câncer de mama
Prevenção do câncer de mama. Imagem: Tara Winstead/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

A prevenção do câncer de mama ainda é cercada por dúvidas entre muitas brasileiras. Uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 29% das mulheres entrevistadas afirmam não saber quais são as formas de prevenção da doença. Em 2024, esse percentual era de 25%.

O levantamento de 2026 ouviu 2.015 pessoas, sendo 1.038 mulheres, e comparou os resultados com uma pesquisa semelhante feita dois anos antes. O grupo que afirma conhecer as formas de prevenção ficou praticamente estável: 58% neste ano, contra 59% em 2024.

A principal mudança ocorreu entre as mulheres que tinham dúvidas sobre o assunto. Esse grupo passou de 16% para 11%, indicando que parte das entrevistadas deixou de apresentar uma resposta intermediária e passou a declarar que não conhece as formas de prevenção do câncer de mama.

Prevenção do câncer de mama também depende de hábitos

A prevenção do câncer de mama não depende de uma única medida. Alguns hábitos podem reduzir o risco de desenvolver a doença, como praticar atividade física regularmente, manter o peso corporal adequado, evitar bebidas alcoólicas e não fumar. A amamentação também é considerada um fator de proteção.

Essas medidas são importantes porque parte dos fatores associados ao câncer de mama pode ser modificada ao longo da vida. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) destaca que alimentação adequada, atividade física e controle do peso podem contribuir para a redução do risco.

Isso não significa, porém, que seja possível evitar todos os casos. Idade, histórico familiar e alterações genéticas também influenciam o risco e não podem ser modificados.

Informação está ligada à realização dos exames

A pesquisa encontrou uma diferença importante entre mulheres que dizem conhecer as formas de prevenção e aquelas que afirmam não conhecê-las.

Entre as entrevistadas que afirmam conhecer os métodos preventivos, 80% disseram já ter realizado o autoexame. Entre as que não conhecem as formas de prevenção, esse percentual foi de 30%.

Na mamografia, a diferença também apareceu: 65% das mulheres que dizem conhecer as formas de prevenção já haviam realizado o exame, contra 35% entre aquelas que afirmam não conhecer os métodos.

Entre as mulheres que nunca haviam feito nenhum dos dois, apenas 12% estavam no grupo que conhecia as formas de prevenção, enquanto 55% estavam entre as que declararam desconhecimento.

É importante fazer uma distinção: o conhecimento das mamas ajuda a perceber alterações fora do que é habitual, mas o autoexame não substitui a mamografia de rastreamento. O INCA orienta que as mulheres conheçam o próprio corpo e procurem atendimento diante de alterações suspeitas.

Mamografia: qual é a orientação atual?

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama porque consegue identificar alterações suspeitas antes que elas sejam percebidas por sintomas ou pela palpação.

A orientação do Ministério da Saúde mudou em setembro de 2025. Atualmente, o rastreamento populacional de rotina é recomendado para mulheres de 50 a 74 anos, uma vez a cada dois anos.

Mulheres de 40 a 49 anos também podem realizar a mamografia pelo SUS mesmo sem sintomas, mas o exame deve ser feito por demanda e com orientação de um profissional de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos, como resultados falso-positivos e sobrediagnóstico.

Já a Sociedade Brasileira de Mastologia defende o rastreamento anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual. A recomendação, portanto, pode variar conforme a entidade e o contexto, e a decisão deve considerar a avaliação individual da paciente.

Renda influencia o acesso à prevenção

A pesquisa também identificou diferenças importantes relacionadas à renda.

O percentual de mulheres que afirmam conhecer as formas de prevenção varia de 49% entre aquelas com renda familiar de até um salário mínimo a 79% entre as que têm renda superior a cinco salários mínimos.

A realização do autoexame também apresenta grande diferença: 51% entre mulheres da faixa de menor renda e 88% entre aquelas com renda acima de cinco salários mínimos.

O tipo de atendimento de saúde utilizado também aparece associado ao nível de informação. Entre as mulheres que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS), 56% afirmaram conhecer formas de prevenção. Na rede privada, o índice chegou a 69%.

Os dados mostram que o acesso à informação e aos serviços de saúde não ocorre de maneira igual para todas as mulheres. Quando exames e orientações são mais difíceis de acessar, a identificação precoce de possíveis alterações também pode ser prejudicada.

Quais hábitos ajudam a reduzir o risco?

Entre as principais medidas relacionadas à prevenção do câncer de mama estão:

  • Manter o peso corporal adequado;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Não fumar e evitar o tabagismo passivo;
  • Manter uma alimentação adequada;
  • Amamentar, quando possível.

Esses cuidados não eliminam completamente o risco, mas ajudam a reduzir a exposição a fatores que podem ser modificados.

O INCA estima que a combinação de peso adequado, atividade física e outros fatores de proteção pode contribuir para evitar uma parcela dos casos de câncer de mama no Brasil.

Quais sinais devem ser observados?

Além das medidas de prevenção, é importante prestar atenção às alterações nas mamas. Nódulo, mudança no formato ou tamanho da mama, alterações na pele, retração do mamilo ou secreção que não seja habitual são exemplos de sinais que precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Nem toda alteração significa câncer. O diagnóstico depende de avaliação clínica e, quando necessário, de exames de imagem e biópsia. O INCA recomenda que alterações suspeitas sejam investigadas rapidamente.

A detecção precoce é diferente da prevenção. A prevenção busca reduzir a possibilidade de a doença aparecer; já a detecção precoce procura identificar o câncer em uma fase inicial, quando as possibilidades de tratamento costumam ser maiores.

Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

O câncer de mama está entre os principais tipos de câncer que afetam as mulheres no Brasil. Para o período de 2026 a 2028, o INCA estima 78.610 novos casos por ano no país.

Quando identificado em estágio inicial, o câncer de mama tende a ter melhores perspectivas de tratamento. A Sociedade Brasileira de Mastologia destaca que a mamografia pode encontrar tumores muito pequenos, antes mesmo que sejam palpáveis.

Por isso, ampliar o acesso à informação é parte importante do cuidado. A pesquisa mostra que o desconhecimento ainda atinge uma parcela significativa das brasileiras e que esse problema é maior entre mulheres de menor renda e entre aquelas que enfrentam mais dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Conhecer os fatores de risco, manter hábitos saudáveis, observar mudanças nas mamas e seguir a orientação adequada para o rastreamento são atitudes que ajudam a fortalecer a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.

Veja também:

Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

Tags

Compartilhe

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Print