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AVC em mulheres: fatores de risco podem passar despercebidos ao longo da vida

Fatores de risco para AVC em mulheres podem passar despercebidos
Fatores de risco para AVC em mulheres podem passar despercebidos. Imagem: Ivan S/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

O AVC em mulheres pode estar relacionado a fatores de risco específicos, como alterações hormonais, gravidez, menopausa e determinadas condições de saúde. Esses aspectos precisam ser considerados durante a avaliação médica, pois podem influenciar o risco de acidente vascular cerebral e dificultar o reconhecimento dos sintomas.

O tema foi abordado pela neurologista Letícia Januzi de Almeida Rocha, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-UFAL) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de AVC, durante o XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia, realizado entre 7 e 10 de outubro de 2026.

Segundo a especialista, o histórico reprodutivo e hormonal da mulher pode fornecer informações importantes para avaliar a saúde dos vasos sanguíneos e identificar fatores que aumentam o risco de AVC em mulheres.

Sintomas de AVC em mulheres podem dificultar o diagnóstico

Os sinais mais conhecidos de acidente vascular cerebral incluem fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar e alterações na visão. Entretanto, algumas mulheres também podem apresentar sintomas como confusão mental, fraqueza generalizada e dor de cabeça.

Essas manifestações podem dificultar o reconhecimento do problema e atrasar a procura por atendimento médico.

O AVC ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido por um bloqueio ou quando um vaso sanguíneo se rompe. Como o atendimento rápido é fundamental para reduzir o risco de sequelas e morte, reconhecer os sinais de alerta é essencial.

Como as fases da vida influenciam o risco de AVC em mulheres?

As mudanças hormonais e metabólicas ao longo da vida podem influenciar a saúde vascular feminina. Por isso, a avaliação do risco de AVC em mulheres deve considerar o histórico de cada paciente, desde a puberdade até a velhice.

Puberdade e primeira menstruação

A idade da primeira menstruação, chamada menarca, pode fornecer informações sobre a saúde reprodutiva e metabólica. Segundo a especialista, a menarca muito precoce ou tardia merece atenção na avaliação do histórico da paciente.

A primeira menstruação antes dos 9 anos é considerada precoce. Já a ausência de desenvolvimento das mamas até os 13 anos ou da menstruação até os 15 anos pode indicar a necessidade de investigação médica.

Essas características não significam que a mulher desenvolverá um AVC, mas podem ajudar o profissional de saúde a identificar condições que precisam de acompanhamento.

Uso de anticoncepcionais

Alguns contraceptivos hormonais, especialmente os que contêm doses mais altas de estrogênio, podem aumentar o risco de eventos vasculares em determinadas mulheres.

A preocupação é maior quando existem outros fatores de risco, como tabagismo, hipertensão arterial e enxaqueca com aura, principalmente em mulheres acima dos 35 anos.

A escolha do anticoncepcional deve considerar o histórico de saúde e os fatores de risco individuais. A orientação médica ajuda a avaliar qual método é mais adequado para cada pessoa.

Gravidez pode revelar riscos cardiovasculares

A gravidez provoca mudanças importantes na circulação sanguínea e no metabolismo. Por isso, a neurologista a descreve como um “teste de estresse metabólico”, especialmente no terceiro trimestre.

Algumas complicações gestacionais podem indicar maior risco cardiovascular no futuro. Entre elas estão:

  • Pré-eclâmpsia, condição caracterizada pelo aumento da pressão arterial durante a gestação, que pode afetar órgãos;
  • Diabetes gestacional, que provoca aumento da glicose no sangue durante a gravidez;
  • Insuficiência placentária, quando a placenta não fornece oxigênio e nutrientes suficientes ao bebê;
  • Parto prematuro, ocorrido antes de 37 semanas de gestação.

Segundo a especialista, mulheres com histórico de pré-eclâmpsia podem apresentar o dobro do risco de AVC ao longo da vida. Por isso, o acompanhamento da saúde após a gestação também é importante.

Menopausa e envelhecimento

Na menopausa, a redução da produção de estrogênio provoca mudanças que podem afetar a saúde dos vasos sanguíneos. Com o envelhecimento, também aumentam os riscos associados à hipertensão, ao diabetes e a outras doenças cardiovasculares.

De acordo com Rocha, a incidência de AVC é cerca de 30% maior entre homens até os 55 anos. Com o avanço da idade e a redução do efeito protetor associado ao estrogênio, essa relação muda, e as mulheres passam a apresentar maior risco em determinadas faixas etárias.

A terapia de reposição hormonal não é indicada da mesma forma para todas as mulheres. A decisão depende dos sintomas, da idade, do histórico clínico e dos riscos individuais.

Hipertensão e diabetes também aumentam o risco de AVC em mulheres

Além dos fatores relacionados à saúde reprodutiva, as mulheres estão sujeitas aos mesmos fatores de risco cardiovasculares que os homens, como hipertensão arterial, diabetes e fibrilação atrial, uma alteração do ritmo cardíaco.

A neurologista destaca que alguns desses fatores podem ter um impacto maior entre as mulheres. Segundo ela, as evidências indicam que o diabetes aumenta em 27% as chances de AVC nesse grupo.

Controlar a pressão arterial, manter a glicemia sob acompanhamento e tratar doenças cardíacas são medidas importantes para reduzir o risco de AVC em mulheres.

Enxaqueca com aura e endometriose merecem atenção

Durante a avaliação do risco de AVC em mulheres, também é importante considerar condições que nem sempre são associadas diretamente à saúde cardiovascular.

Enxaqueca com aura

A enxaqueca com aura é caracterizada por sintomas neurológicos temporários que podem surgir antes ou durante a dor de cabeça. Entre os sinais mais comuns estão flashes de luz, pontos brilhantes, linhas em zigue-zague e alterações na visão.

Essa condição está associada a um risco maior de AVC isquêmico, especialmente quando existem outros fatores, como tabagismo e uso de determinados anticoncepcionais hormonais.

Sintomas neurológicos súbitos e diferentes do padrão habitual precisam de avaliação urgente, pois podem indicar um AVC em mulheres.

Síndrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) pode estar associada à resistência à insulina, alterações nos níveis de gorduras no sangue e maior risco de problemas metabólicos.

Por isso, o acompanhamento não deve se limitar às questões menstruais e reprodutivas. A avaliação também precisa considerar a pressão arterial, a glicemia e outros indicadores de saúde cardiovascular.

Endometriose

A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora da cavidade uterina.

Além dos sintomas ginecológicos, a condição pode estar associada a alterações inflamatórias e a um perfil de risco cardiovascular que merece atenção. Isso não significa que AVC em mulheres irá se desenvolver em todas com endometriose, mas reforça a importância do acompanhamento individualizado.

Insuficiência ovariana prematura

A insuficiência ovariana prematura ocorre quando a atividade dos ovários diminui antes dos 40 anos, provocando redução da produção de hormônios, incluindo o estrogênio.

Entre as possíveis causas estão fatores genéticos, doenças autoimunes e tratamentos como quimioterapia ou radioterapia na região pélvica. Em muitos casos, a origem não é identificada.

A redução precoce do estrogênio pode afetar a função dos vasos sanguíneos e contribuir para o aumento do risco cardiovascular. Por isso, a condição exige avaliação e acompanhamento médico.

Como prevenir o AVC em mulheres?

A prevenção do AVC em mulheres depende da identificação dos fatores de risco ao longo da vida. Informações sobre menstruação, uso de anticoncepcionais, complicações na gravidez, menopausa e doenças preexistentes ajudam o profissional de saúde a avaliar cada caso.

Manter a pressão arterial e o diabetes sob controle, não fumar, praticar atividade física e seguir as orientações médicas são medidas importantes para proteger a saúde cardiovascular.

Também é fundamental reconhecer os sinais de alerta. Diante de fraqueza súbita, alteração na fala, perda de visão, desequilíbrio ou confusão repentina, procure atendimento de emergência imediatamente. O AVC em mulheres é uma emergência médica, e o tratamento rápido pode reduzir as consequências.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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