O SUS vai ampliar a oferta de trombolíticos para pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico em serviços de urgência e emergência de todo o país. A medida foi sancionada nesta quarta-feira (2) pelo presidente da República e pretende facilitar o acesso ao tratamento em situações em que cada minuto pode fazer diferença.
Os trombolíticos são medicamentos capazes de dissolver coágulos que bloqueiam a circulação do sangue. No infarto, o entupimento acontece em uma artéria que leva sangue ao coração. No AVC isquêmico, o coágulo impede a chegada de sangue e oxigênio a uma parte do cérebro.
A rapidez para identificar o problema e iniciar o tratamento pode aumentar as chances de sobrevivência e diminuir o risco de sequelas.
O que são os trombolíticos?
Os trombolíticos são medicamentos usados para desfazer coágulos sanguíneos que estão obstruindo vasos importantes.
No caso do infarto, eles podem ser utilizados em determinadas situações, principalmente quando procedimentos como a angioplastia, usada para desobstruir uma artéria, não podem ser realizados dentro do tempo considerado adequado.
No AVC isquêmico, o medicamento também pode ser indicado depois da avaliação médica, desde que o paciente esteja dentro dos critérios para receber a terapia.
O objetivo é restabelecer o fluxo de sangue o mais rapidamente possível.
Por que o tempo é tão importante?
Tanto o infarto quanto o AVC isquêmico são emergências médicas. Quanto mais tempo um vaso permanece bloqueado, maior pode ser o dano provocado pela falta de circulação e oxigênio.
Por isso, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou a importância de iniciar o tratamento rapidamente.
A ideia da ampliação é fazer com que o medicamento esteja disponível em mais pontos da rede pública, reduzindo o tempo entre o diagnóstico e o início da terapia.
Trombolíticos poderão ser usados nas UPAs e no Samu
O SUS já possui protocolos para o atendimento de infarto e AVC isquêmico que preveem o uso de trombolíticos em serviços de urgência e emergência.
A novidade está na estratégia para ampliar e organizar a disponibilidade desses medicamentos.
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) poderão avaliar o paciente e, quando houver indicação, iniciar o tratamento.
O Samu 192 também poderá administrar o medicamento em unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas para esse tipo de atendimento.
Em algumas situações de infarto, o trombolítico pode ser utilizado enquanto é providenciada a continuidade do tratamento em uma unidade com estrutura para realizar procedimentos de maior complexidade.
Como será ampliado o acesso aos medicamentos?
Até agora, a aquisição dos trombolíticos era feita pelos próprios gestores locais de saúde.
Para mudar esse cenário, o Ministério da Saúde criou um Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes.
O grupo vai reunir o ministério e representantes de sociedades médicas para propor diretrizes, acompanhar a implementação das medidas e avaliar a oferta dos medicamentos em diferentes regiões.
Segundo a pasta, o objetivo é tornar o acesso mais uniforme e melhorar a assistência prestada aos pacientes.
Quantos casos de infarto e AVC acontecem no Brasil?
O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano.
Em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC. Desse total, 218 mil foram relacionados ao AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria do cérebro por um coágulo.
Os números mostram a importância de garantir atendimento rápido e estrutura adequada para esses pacientes.
Segundo o Ministério da Saúde, experiências acompanhadas pelo governo em estados e municípios indicam que a utilização adequada de trombolíticos pode contribuir para uma redução de até 50% nas mortes por infarto em determinados cenários.
Quantas unidades do Samu já utilizam trombolíticos?
Atualmente, 102 unidades do Samu 192 estão habilitadas para oferecer esse tipo de atendimento.
A distribuição é a seguinte:
- Ceará: 28 unidades;
- Minas Gerais: 22 unidades;
- Sergipe: 16 unidades;
- Rio Grande do Norte: 13 unidades;
- Bahia: 12 unidades;
- São Paulo: 9 unidades;
- Paraíba: 2 unidades.
Em 2025, o Samu 192 registrou 861 aplicações de trombolíticos em todo o país.
A ampliação prevista pelo governo busca aumentar a disponibilidade desse tratamento no SUS e melhorar a resposta da rede pública diante de casos de infarto e AVC isquêmico.
Em situações com sintomas compatíveis com essas emergências, a orientação é procurar atendimento imediatamente ou acionar o Samu pelo 192. A rapidez no atendimento pode ser decisiva para reduzir o risco de morte e de sequelas.
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