O aumento do tempo em frente às telas e a pouca exposição à luz natural estão entre os fatores que preocupam oftalmologistas quando o assunto é miopia em crianças e adolescentes. Para orientar famílias e escolas, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançaram a cartilha Mais Tempo ao Ar Livre, Mais Saúde para os Olhos.
O material foi apresentado nesta sexta-feira (11), durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), em Salvador. A publicação é destinada a pacientes, familiares, profissionais de saúde e educação e será distribuída para secretarias de Saúde e Educação de todo o país.
A proposta é reunir medidas simples que possam ser incorporadas à rotina para ajudar a reduzir o risco de desenvolvimento da miopia em crianças. A SBOP também destaca que passar mais tempo ao ar livre tem evidências consistentes de proteção contra o surgimento da doença.
Miopia em crianças pode ser influenciada pelo tempo ao ar livre
A recomendação central da cartilha é que crianças e adolescentes tenham pelo menos duas horas por dia de atividades ao ar livre, como brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente estar em contato com a natureza.
A exposição à luz natural é considerada um fator de proteção contra o desenvolvimento da miopia em crianças. De acordo com o consenso internacional citado pela SBOP, pelo menos duas horas diárias ao ar livre estão associadas à redução do risco de desenvolver miopia.
Além da exposição à luz natural, passar mais tempo fora de casa ajuda a diminuir o período dedicado a atividades realizadas em ambientes fechados, principalmente aquelas que exigem concentração visual a curta distância.
A orientação não significa que crianças já míopes possam deixar de fazer acompanhamento ou tratamento. O tempo ao ar livre é considerado uma medida complementar, e existem outras estratégias para controlar a progressão da miopia em crianças.
Uso de telas também merece atenção
O CBO recomenda que famílias estabeleçam limites para o uso de telas e façam pausas durante atividades que exigem esforço visual próximo.
A cartilha apresentada no congresso considera os seguintes limites como referência:
- Menores de 2 anos: nenhum tempo de tela;
- De 2 a 5 anos: até uma hora por dia;
- De 5 a 10 anos: até duas horas por dia;
- De 10 a 18 anos: até três horas por dia.
O uso de telas não deve ser analisado isoladamente como causa da miopia. A preocupação está também no tempo que a criança deixa de passar ao ar livre e na quantidade de atividades realizadas em ambientes fechados e a curta distância.
A SBOP recomenda ainda fazer pausas regulares durante atividades próximas. Uma orientação citada pela entidade é interromper esse tipo de atividade a cada 30 minutos.
Como proteger a visão das crianças?
As famílias podem incluir atividades externas na rotina de diferentes maneiras. Brincadeiras no parque, caminhadas, passeios e esportes são algumas opções que ajudam a aumentar o tempo de exposição à luz natural.
Durante o uso de celulares, tablets e computadores, também é importante evitar longos períodos sem interrupção e manter uma distância adequada do dispositivo.
Outra recomendação é não usar telas no escuro. A SBOP orienta manter uma iluminação adequada no ambiente e, durante atividades próximas, fazer pausas regulares.
A exposição ao sol, porém, deve ocorrer com proteção adequada, incluindo medidas como uso de protetor solar e proteção para os olhos quando indicada.
O que é miopia?
A miopia é um problema de visão em que a pessoa consegue enxergar objetos próximos com mais facilidade, mas tem dificuldade para ver claramente o que está distante. Ela pode surgir ainda na infância e aumentar conforme o olho cresce.
O acompanhamento com oftalmologista é importante para identificar o problema, corrigir o grau e verificar se a miopia está avançando mais rapidamente do que o esperado.
Em casos de miopia mais alta, o risco de algumas complicações oculares também aumenta. Por isso, quanto mais cedo a alteração for identificada e acompanhada, melhor.
Projeto Pequenos Olhares atende crianças em Salvador
O lançamento da cartilha ocorreu durante a quinta edição do Projeto Pequenos Olhares CBO, realizado paralelamente ao congresso em Salvador.
Cerca de mil crianças e adolescentes passaram por consultas e exames oftalmológicos durante a ação. Médicos voluntários participaram dos atendimentos e também foram distribuídos gratuitamente óculos para aqueles que precisavam de correção visual.
A iniciativa reforça a importância de identificar alterações de visão ainda na infância, período em que o sistema visual continua em desenvolvimento.
Para ajudar a reduzir o risco de miopia em crianças, especialistas recomendam combinar mais atividades ao ar livre, pausas durante tarefas de perto, uso equilibrado das telas e acompanhamento oftalmológico regular.
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